O fígado é o único órgão que consegue se regenerar, mas nem por isso devemos deixar de dar importância em casos de alterações funcionais.

Em algumas espécies animais o metabolismo alcança a atividade máxima logo depois da alimentação; isto lhes diminui a capacidade de reação a estímulos externos. Em outras espécies, o controle metabólico é estacionário, sem diminuição desta reação. A diferença é determinada pelo fígado, órgão básico da coordenação fisiológica, e sua função reguladora, (fonte: http://pt.wikipedia.org).

Entre algumas das funções do fígado estão:

  •  A produção de bile;
  •  A síntese do colesterol;
  • A conversão de amônia em uréia;
  • A desintoxicação do organismo;
  • A síntese de protrombina e fibrinogênio (proteínas de coagulação do sangue);
  • A destruição das hemácias;
  • A síntese, armazenamento e quebra do glicogênio;
  • A emulsificação de gorduras no processo digestivo, através da secreção da bile;
  • A lipogênese, a produção de triglicérides (gorduras)

Entre as principais alterações que ocorrem no fígado estão:

As hepatites virais (agudas e/ou crônicas), ocasionadas por vírus, como a leptospirose; as doenças hepáticas causadas por toxinas; as insuficiências hepáticas (que podem vir de uma cardiopatia ou anomalia congênita); fibroses e cirroses hepáticas e hepatopatias de etiologia desconhecida.

Os sintomas mais comuns são:

  • Falta de apetite
  • Letargia
  • Perda de peso
  • Icterícia
  • Urina mais escura
  • Beber mais água
  • Vômitos
  • Ascite

Nos gatos (principalmente nos obesos), a falta de apetite por mais de dois dias já pode acarretar um problema hepático grave, no qual chamamos de Lipidose Hepática, no qual se acumula gordura no fígado.

O diagnóstico se dá através de:

Exames de sangue, como dosagem bioquímica das enzimas hepáticas (ALT, AST e Fosfatase alcalina); hemograma completo; análise de urina (EAS); e exames complementares como a ultrassonografia, a radiografia e ecografia, podendo em alguns casos de tumores hepáticos fazer uma biópsia hepática.

Na vesícula biliar as alterações mais comuns são:

  • O acúmulo de sedimento (lama biliar)
  • Formação de cristais e posteriormente cálculos (coleicistite/colelitíase)
  • Espessamento da parede
  • Dilatação do ducto cístico

Essas alterações estão normalmente associadas a um animal idoso, com dieta pouco nutritiva e/ou já apresentando algum processo inflamatório em fígado.

Vejam algumas imagens ultrassonográficas de doenças hepáticas e vesícula biliar:

Lipidose Hepática (gordura aparente e fígado aumentado)

Leptospirose (fígado mais escuro e com marcações  mais claras)

Colangiohepatite (fígado aumentado e vesícula com parede aparente)

Tumores Hepáticos (nódulos arredondados)

Lama Biliar (acúmulo de sedimento na vesícula)

Vesícula Bilobada em gato (comum em gatos)

 


A ultrassonografia também pode ser realizada para ajudar a diagnosticar enfermidades em animais silvestres, a exemplo do que ocorre no Campus de Vargem Pequena da Universidade Estácio de Sá, que abriga os animais resgatados pelo Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. 

Bicho Preguiça fazendo exame de ultrassonografia:

Jararaca prenha:

Fetos de Jararaca:


Muitos donos têm receio em castrar seus bichinhos de estimação, sem saber que na verdade estão fazendo um bem para eles.
Tanto cães quanto gatos, podem apresentar diversas doenças relacionadas ao sistema reprodutor, pois com a produção hormonal constante, acarreta no futuro, problemas sérios….
Nas fêmeas, cadelas ou gatas, podem aparecer doenças como: Piometra, que é uma infecção uterina secundária a essas alterações hormonais, pois após uma hiperplasia endometrial ocorrida por esses hormônios, há uma excessiva secreção pelo endométrio, em que se acumula no lúmen uterino criando um meio bacteriano.
Ainda há outras doenças que também estão relacionadas a problemas hormonais, como neoplasias mamárias, endometrites entre outras.
No caso dos machos, podemos encontrar problemas como:
Epididimites, orquites, e neoplasias testiculares. Em próstata, podem ocorrer um aumento do tamanho desta, e um processo inflamatório (prostatite), que com isso, pode comprimir a uretra, ocasionando secundariamente problemas urinários.

Por esses motivos, a castração é tão importante para nossos bichinhos!

Converse sempre com seu veterinário!

Piometra em cadela:

Piometra em gata:

Hemometra:

Neoplasia de ovário:

Prostatite com Hiperplasia Prostática Benigna:


A ultrassonografia é o método confiável para o diagnóstico da gestação em pequenos animais (mas o melhor método de contagem de fetos continua sendo a radiografia).

De acordo com algumas definições, a gestação normal é de aproximadamente 65 dias em cadelas e 61 em gatas.
A ultrassonografia é útil no monitoramento do desenvolvimento fetal e embrionário normais, sendo o primeiro indicador da gestação, a visualização de bolsas gestacionais (pequenas estruturas anecóicas de parede fina, próximas ao útero).
O feto começa a se desenvolver após 30 dias da cópula, permitindo a definição dos órgãos.
Com 20 dias se visualiza a bolsa gestacional.
Com 22 a 24 dias são visualizadas as camadas placentárias; e com 23 a 25 os batimentos cardíacos; de 34 a 36 os movimentos fetais.
Com 33 a 39 visualiza o esqueleto.
Com 35 a 39 já começam a aparecer os órgãos, primeiro a bexiga e estômago; com 38 a 42 fígado e pulmão; e no final da gestação (último trimestre) vemos os rins, inicialmente hipoecóicos e por último são visualizadas as alças intestinais e peristaltismo.

A média da freqüência cardíaca é de 230 bat/min (214bat/min e 238 bat/min), por volta do 40° dia em cadelas, e 228 bat/min nas gatas. Normalmente próximo ao parto há uma reduçãp desses valores.

Anormalidades mais comuns, são absorção (morte embrionária antes 25 dias) e abortamento (morte fetal após 35 dias). Os sinais de morte fetal incluem a ausência de batimentos cardíacos e do movimento fetal, postura anormal do feto ( volume reduzido com ecogenicidade aumentada dos líquidos fetais, acúmulo de gás dentro do feto).

Feto de 38 dias:

Feto de 56 dias:

Morte fetal:


Foi realizado o exame de ultrassonografia em um animal de 5 anos com histórico de cálculos vesicais (que foram retirados em procedimentos cirúrgicos) e uma insuficiência renal aguda em consequência destes cálculos. No exame clínico, o animal apresentou vômitos com sangue e prostração, mas ainda não havia feito exames laboratoriais para saber como estava a função renal.

Durante o exame de ultrassonografia, observou-se que o rim esquerdo não aparentava alterações morfológicas, mas apresentava um leve aumento de volume. Porém, quando o rim direito foi visualizado, ele estava com alterações típicas de hidronefrose (dilatação do sistema coletor secundária à obstrução do ureter). O tamanho estava aumentado, com uma fina camada de parênquima renal ao redor da pelve e do sistema coletor, mostrando-os completamente dilatados.

Quando a bexiga foi examinada, observou-se a presença de cálculos e cristais vesicais e uma infecção, fazendo com que a parede da bexiga ficasse espessada (cistite). A presença da hidronefrose caracteriza uma forte relação com esses cálculos que tornaram a se formar.

O animal ainda apresentava uma gastroenterite aguda (estômago e intestinos com uma infecção), possuindo conteúdo líquido e gás.

Posteriormente, o animal evacuou sangue vivo na internação. Ele será submetido à uma cirurgia para retirada desse rim com a hidronefrose e, posteriormente, fará a cirurgia dos cálculos na bexiga.

Tudo isso está relacionado à formação de cálculos na bexiga, por ser um animal propenso a esse tipo de doença. Em casos como o relatado, o correto é fazer uma dieta específica e um acompanhamento periódico.

Cálculo:

 

Rim Direito:

 

 

 


Você sabe qual a importância de vacinar seu animal de estimação?

Os animais precisam ser vacinados para terem uma vida longa e saudável, pois transmitem algumas doenças que estão disseminadas em todo o país.  Um filhote não vacinado conta com uma grande possibilidade de não atingir a idade adulta, vítima de uma doença infecciosa. Já os adultos estão sujeitos a adoecerem a qualquer momento quando não vacinados. No ser humano é importante vacinar os animais devido à transmissão de zoonoses, como a Raiva e a Leptospirose. Se o animal não estiver vacinado, pode transmiti-las para seu dono.

As vacinas devem ser administradas desta forma:

Em cães:

45 dias de idade                                           Vacina Polivalente – 1ª dose

30 dias de após a primeira dose                   Vacina Polivalente – 2ª dose

30 após a segunda dose                              Vacina Polivalente – 3ª dose

1 semana após a aplicação da 3ª dose da Polivalente       Vacina Anti-Rábica

Em gatos:

45 a 60 dias de idade                                 Vacina Polivalente-1ª dose

30 dias após a primeira dose                     Vacina Polivalente- 2ª dose

30 dias após a segunda dose                      Vacina Polivalente- 3ª dose

1 semana após a aplicação da 3ª dose da Polivalente          Vacina Anti-Rábica

 

Veja as doenças nas quais o animal estará protegido com a vacinação (de acordo  com www. clinipet.com):

- Em cães:

1) Cinomose: doença viral que acomete cães de qualquer idade. É altamente contagiosa através do contato direto com secreções principalmente nasais dos animais doentes. O vírus pode ficar disperso no ar principalmente em temperaturas mais frias. No cão, pode manifestar sinais cutâneos, gastrointestinais, respiratórios ou neurológicos e como não há tratamento específico, a taxa de mortalidade é alta. Os animais doentes podem receber tratamento sintomático e, os que conseguem driblar a doença, acabam ficando com sequelas (principalmente neurológicas) para o resto da vida.

2) Parvovirose: doença viral que acomete mais comumente filhotes, levando a um quadro gastrointestinal grave com diarréia e vômitos com sangue. O contágio ocorre através do contato com as fezes contaminadas, porém o vírus pode permanecer no ambiente por meses a anos. Também não há tratamento específico, somente sintomático, e a taxa de mortalidade é alta.

3) Coronavirose: doença viral, com manifestação gastrointestinal semelhante a parvovirose, porém mais branda. O cão também se contamina ao entrar em contato com as fezes contaminadas.

4) Leptospirose: doença bacteriana, que pode ser causada por diversos tipos de leptospira, existindo mais de 10 que podem contaminar o cão. Cada tipo se manifesta uma sintomatologia clínica, que pode variar de lesões graves em rins, fígado e hemorragias. O animal se contamina entrando em contato com o animal doente ou urina contaminada (que também pode contaminar água e alimentos).

5) Parainfluenza e Adenovírus tipo 2: doenças  virais, que acometem o sistema respiratório causando tosse, espirro que podem evoluir pra pneumonia. O cão se contamina ao entrar em contato com os animais doentes, que transmitem o vírus através de partículas durante a tosse ou espirro. Altamente contagiosa, principalmente em locais com grande número de animais (canis, parques).

6) Hepatite Infeciosa: doença viral com manifestação hepática e ocular. Ocorre através do contato  oronasal com o cão doente.

7) Raiva: doença viral grave e sem cura, que manifesta sinais neurológicos e que se comprovada a doença é indicado eutanásia do animal. Por se tratar de uma importante zoonose (que os cães ou gatos doentes transmitem pela mordedura/saliva), a vacina contra raiva é a única obrigatória por lei Federal no Brasil. Todos os cães e gatos devem ser vacinados anualmente com esta vacina.

8) Leishmaniose visceral: doença grave transmitida pela picada de determinadas espécies de mosquitos, manifesta inúmeros sinais clínicos no cão como lesões em pele, aumento de linfonodos, anemia, alterações em órgãos como baço, rins  e fígado  entre outros. O tratamento canino com determinadas drogas é proibido no Brasil e a legislação vigente recomenda a eutanásia dos animais positivos.

-Em gatos:

1) Panleucopenia felina: doença viral, contagiosa através do contato com as fezes ou objetos que tenha entrado em contato com o animal contaminado. Manifesta principalmente sinais gastrointestinais graves com alto índice de mortalidade. Não possui tratamento específico, somente sintomático.

2) Rinotraqueíte: doença viral (causada por um herpesvírus), altamente contagiosa, que manifesta sinais respiratórios (principalmente espirros e secreção nasal) e alterações oculares, podendo levar o gato a morte por complicações do quadro ou  permanecer com sequelas oftálmicas.

3) Clamidiose: doença bacteriana, transmissível aos humanos, que se caracteriza principalmente por lesões oculares (conjuntivite, úlcera de córnea…)

4) Calicivirose: doença viral, que causa infecção respiratória nos felinos. Pode vir associada a rinotraqueíte e a clamidiose, levando ao quadro de complexo respiratório felino.

5) Leucemia Viral Felina (FeLV): doença viral grave, sem cura e sem tratamento específico, contagiosa  principalmente pela saliva do animal contaminado (que pode contaminar comedouros e bebedouros), lambedura ou mordedura. Apresenta diversas manifestações clínicas, entre elas a imunossupressão e o aparecimento de tumores em diversos órgãos (linfomas).

6) Vacina Anti-Rábica: Por se tratar de uma importante zoonose (que os cães ou gatos doentes transmitem pela mordedura/saliva), a vacina contra raiva é a única obrigatória por lei Federal no Brasil. Todos os cães e gatos devem ser vacinados anualmente com esta vacina.

 

Não aplique você mesmo a vacina!

É importante que o animal esteja vermifugado antes de primeira dose de vacina.

Às vezes o animal pode ficar prostrado após a aplicação da vacina ou aparecer um inchaço no local, isso é normal.

Leve seu animal regularmente ao Veterinário.

 


Seu animal tem problemas para urinar? A causa pode vir de uma inflamação na próstata ou um aumento dela pela produção de hormônios, as duas estão associadas em animais que não são castrados e já possuem uma idade avançada.

Vejamos como:

A prostatite é um processo inflamatório da próstata (pode ocorrer por bactérias ou fungos), e está associada ao aparecimento de dor abdominal, corrimento prepucial, febre, dor à palpação retal. Pode ocorrer nas imagens, o aparecimento de líquido e abscessos, mas também pode ser assintomática, podendo estar acompanhada a infecção urinária secundária.

Na hiperplasia prostática benigna, a próstata estará aumentada de volume, que ocorre em decorrência de um estímulo androgênico, mediado especificamente pela diidrostestosterona. Acomete mais animais com idade superior a 6 anos. Os sintomas são o tenesmo, hematúria (animal tem dificuldade de defecar e urina pouco), podendo acarretar uma infecção urinária secundária a essa patologia.

Essas duas podem aparecer uma como conseqüência da outra, ou aparecer somente uma delas.

 

 


Fique de olho no seu bichinho!!

Ao perceber alguns desses sintomas, leve seu animal ao veterinário!

Animal não consegue urinar? Sente dor? A urina cai em pinguinhos? De cor avermelhada?

Vamos explicar:

- Bexiga Urinária

Comumente encontrada em todos os animais domésticos e nos humanos, e visualizada anatomicamente da mesma forma.

É um órgão oco, que na imagem ultrassonográfica, se encontra anecóica (preta), com margens hiperecóicas (brancas).

Possíveis alterações mais comuns encontradas na bexiga são:

• Cistite, que consiste na infecção urinária mais comum.

A cistite pode ser aguda, o que causa alteração na urina, podendo ter sangue, estar mais concentrada e em alguns casos com cristais.

O animal sentirá do ao urinar, gotejamento de urina, ou ausência em alguns casos.

Se não trata a cistite, pode vir a formar cálculos urinários, e um “tampão” na uretra pela grande quantidade de sedimentos que podem se depositar no canal uretral.

• Coágulos e hematomas, podem se formar decorrentes a trauma, infecção secundária ou neoplasia (tumores).

A urina irá se apresentar avermelhada ou em alguns casos cor de “coca-cola”.

• Cálculos se formam com o agrupamento de cristais, decorrentes de uma cistite, e ou em alguns animais que são predispostos a infecções urinárias.

Os cálculos podem impedir a saída da urina da bexiga e interromper o fluxo na uretra, geralmente se os cálculos forem muito grandes, deve- se fazer uma cirurgia para retirá-los.

A ultrassonografia também ajuda no diagnóstico de:

• Neoplasias
• Corpos estranhos
• Ruptura

Animais predispostos, além de medicamentos, também devem comer rações específicas, para evitar recorrências.

Gatos e algumas raças de cães têm tendência à formação de cálculos e cistite!


18jan

O início

A partir de hoje, estarei aqui para tirar suas dúvidas,  inclusive sobre exames.

Este site tem como objetivo ajudar  os donos de animais e médicos veterinários a entender um pouco mais sobre a importância do diagnóstico por imagem (mais precisamente a ultrassonografia veterinária).

Incluirei os exames realizados em meus queridos pacientes, aproveitando para expor meus achados clínicos, tais como alterações de grande importância em alguns órgãos.

Vocês encontrarão dicas de saúde animal e quero poder contar com vocês!

Enviem suas dúvidas e sugestões!