Os processos inflamatórios hepáticos difusos podem revelar características ultrassonográficas variáveis. Os distúrbios hepáticos difusos podem ser difíceis de ser diferenciados de doenças multifocais maldefinidas. A ecogenicidade parenquimatosa pode estar aumentada, reduzida ou não afetada.

Em gatos a colangiohepatite está mais comumente associada a diminuição na ecogenicidade parenquimatosa e aumento da visibilidade da vasculatura portal. Em cães, a hepatite aguda também tende a causar hipoecogenicidade hepática difusa.

Por outro lado, a hepatite crônica tende a estar associada à fibrose, com a ecogenicidade aumentada. A presença de inflamação ativa crônica, edema, fibrose e necrose, bem como nódulos regenerativos (hiperplasia), tendo um fígado heterogêneo com ecogenicidade mista.

 

Fonte: Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Penninck & D`Anjou.

 

Diferença de parênquimas em dois animais; a primeira imagem de um fígado hiperecóico (ecogenicidade difusa) com intensa lama biliar em vesícula biliar, as duas imagens seguintes são de um fígado hipoecóico de um cão com suspeita de hemoparasitose e Fosfatase Alcalina fora dos limites padrões:

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Platinosomose é uma parasitose de felinos domésticos ou silvestres,causada por um trematódeo da espécie Platynosomum concinnum.Comumente ele habita os ductos biliares e vesícula biliar do gato,mas pode ser encontrado no duodeno ou outras porções proximais do intestino e ductos pancreáticos.Geralmente o quadro passa desapercebido,sem alterações clínicas,mas pode também ocasionar disfunções hepáticas graves,como colestase , colangiohepatite e cirrose.

O parasita é encontrado em áreas tropicais e subtropicais.O ciclo de vida é dependente de invertebrados como moluscos(caracóis) , insetos terrestres(besouros) e lagartixas ou sapos,que estes são os últimos hospedeiros antes dos felinos.O gato ao caçar e ingerir estes animais acabam adquirindo os parasitas que estão encistados no fígado destes hospedeiros,das formas encistadas surgem as metacercárias que migram para se desenvolver nos ductos biliares.

Os sinais clínicos serão proporcionais ao grau de infestação,geralmente há diarréia mucóide,inapetência,perda de peso, anorexia e vômitos.Se houver colestase poderá ser percebida à icterícia,hepatomegalia,anemia,ascite e aumento palpável da vesícula biliar.

No ultra-som pode ser observado espessamento da parede da vesícula biliar e presença de lama biliar, além de dilatação de ductos biliares,dilatação vesicular e hepatomegalia.
Fonte: http://medfelina.blogspot.com.br/2011/01/platinosomose.html

- Dois felinos com histórico de comer lagartixa, com dilatação das vias biliares e hepáticas, paredes ecogênicas:

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Nas cadelas adultas, pode ocorrer inflamação vaginal. Sendo rara em gatas. A vaginite quase sempre se dá por uma infecção bacteriana, que pode ser secundária a anormalidades conformacionais. Uma infecção viral, corpo estranho vaginal, neoplasia, hiperplasia vaginal, esteróides androgênicos ou situações intersexuadas também podem causar vaginite (Merck, 2001).

O sinal clínico mais comum é secreção vulvar. Também pode se observar lambedura vulvar, atração de machos e micção frequente. O hemograma e bioquímico estarão normais, com isso, pode se diferenciar vaginite de piometra de cérvix aberta. Para diagnóstico diferencial a ultrassonografia é o exame mais indicado (Merck, 2001).

A involução uterina pós-parto ocorre em 9 a 12 semanas, havendo presença de lóquio (secreção hemorrágica) durante quatro a seis semanas, fisiológico durante esse período, já queestá ocorrendo a reconstrução do endométrio. Mas, em algumas das vezes estas secreções podem ser preocupantes, fazendo com que a ultrassonografia seja muito importante para uma involução uterina normal no pós-parto, identificando possíveis alterações como retenção de placenta, metrite, etc. Caracterizando pelo aumento da parede uterina e conteúdo em seu lúmen (Carvalho, 2004).

Acompanha-se normalmente até 24 dias após o parto, sendo que nos primeiros dias, suas paredes estarão espessas e irregularescom conteúdo luminal e restos de membranas fetais e maternas. Após 24 dias, suas paredes estarão finas e com conteúdos luminal mais homogêneo à medida que os líquidos forem expelidos. Quando a involução se completa, os cornos uterinos se apresentam tubulares, uniformes e hipoecogênicos (Carvalho, 2004).

Muitas vezes é difícil distinguir no exame ultrassonográfico, coágulos e restos de membranas de retenção de placenta (fisiológicos). Deve se considerar a diminuição ou não do tamanho uterino (Carvalho, 2004).

Imagem de uma cadela com conteúdo com celularidade em cérvix após o parto, em exame clínico, foi observada secreção mucopurulenta (provavelemente vaginite):

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Imagem de uma felina do útero após abortamento, a diferenciação é bem discreta, pois em ambos os casos ainda haverá conteúdo com celularidade em útero, tendo que fazer um acompanhamento para evitar uma infecção secundária:

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A cistite polipóide causa espessamento de parede pela presença de múltiplas e pequenas massas que se projetam para o lúmen. A avaliação citológica ou histológica se faz necessária na diferenciação de pólipos e neoplasia (Carvalho, 2004).

* para visualizar o vídeo do exame feito no animal a seguir, acesse https://www.facebook.com/veterinariapriscillapinel .

Imagem de um canino SRD com espessamento de parede e presença de forma vegetativa em parede:

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Os cãe são os mais acometidos. A neoplasia maligna  mais comum é o carcinoma de células de transição, no qual se observa espessamento focal da parede como uma massa irregular que se estende para o lúmen. As benignas mais comuns são os papiloma e o hemangiomas (Carvalho, 2004).

Massas pequenas podem ser detectadas desde que a repleção vesical seja adequada. Em porção caudal é mais comum do que em porção cranial. A bexiga pode estar difusamente envolvida pela neoplasia, causando espessamento de parede, semelhante a cistite crônica (Carvalho, 2004).

Não é recomendada a aspiração por agulha fina, pois pode causar risco de semear células tumorais no trajeto da agulha. Linfonodos ilíacos e sublombares devem ser avaliados para pesquisa de metástase (Carvalho, 2004).

 

Imagens de um canino, em região intraluminal em contato com parede dorsal, foi observada imagem arredondada de contornos definidos e irregulares, heterogênea, medindo 3,6 cm x 2,2 cm:

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É um achado acidental e benigno em cães e gatos, que pode aparecer como massas de tecido mole parcialmente mineralizadas, circulares a ovais, na gordura abdominal. Pelo exame ultrassonográfico, esses focos podem ser reconhecidos como nódulos ou massas bem definidas, hiperecóicas e hiperatenuantes na gordura abdominal, que podem ser múltiplas no mesmo paciente (Penninck, 2011).

- Nódulo em região umbilical, em cadela de 4 anos ( sugestivo de necrose gordurosa nodular, só um foi visualizado):

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A hiperplasia nodular benigna é comum, particularmente em cães, representando muitas das lesões hepáticas focais identificadas na ultrassonografia. As malignas podem ser vistas como massas focais e multifocais. Lesões cavitárias, ocasionalmente, cistos biliares e hepáticos, aparecem como focos bem circunscritos, anecóicos e devem ser diferenciadas de tumores císticos. Abcessos hepáticos são incomuns, tendem a aprecer como lesões hipoecóicas, arredondadas ou ovais, regulares ou irregulares, que são frequentemente cavitárias. Granulomas tendem a aparecer como lesões hiperecóicas, ocorrem por doenças fúngicas ou peritonite infecciosa felina. A hemorragia hepática é rara em cães e gatos, pode estar relacionada a hemangiossarcomas ou traumas. Os hematomas hepáticos também podem desenvolver após procedimentos guiados por ultrassonografia, como biópsia( Penninck, 2011).

Os tumores primários acometem mais animais idosos, podendo ser malignos ou benignos. Os linfomas são os tumores hemolinfáticos mais comuns encontrados no fígado, tanto em cães quanto em gatos.

As neoplasias mestastáticas hepáticas são mais comuns que as neoplasias primárias e podem surgir a partir de muitos orgãos, incluindo pâncreas, baço, trato gastrointestinal, glândulas adrenais, glândulas mamárias e pulmões. Uma neoplasia hepática também pode ter origem hemolinfática, abrangendo linfossarcomas e mastocitomas.

Os sinais clínicos podem ser inespecíficos ou específicos, como a poliúria e polidipsia, vômitos, perda de peso, icterícia, encefalopatia hepática e ascite. No exame físico pode se observar hepatomegalia ou massa abdominal e membranas mucosas pálidas (Merck, 2001).

Os achados radiográficos são variáveis e os ultrassonográficos podem confirmar o envolvimento de um único lobo hepático, alterações nodulares múltiplas ou uma doença difusa, embora não seja capaz de  definir o tipo celular da neoplasia,  a biópsia faz o diagnóstico definitivo (Merck, 2001).

Em caso de tumores hepáticos em muitos lobos o prognóstico é ruim, no caso de um lobo recomenda-se a remoção cirúrgica (Merck, 2001).

Felino com nódulo hiperecóico em lobo medial.

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Felino com presença de nódulos arredondados hipoecóicos em lobo hepático esquerdo e moderado líquido livre.

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Nódulo hepático arredondado hipoecóico, localizado em lobo esquerdo de um canino de 9 anos.

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Suas causas podem estar relacionadas a cálculos e massas. Os cálculos normalmente formarão sombra acústica, mas se tiver conteúdo de alça intestinal pode prejudicar sua visulaização, é recomendado assim realizar a urografia excretora.

A dilatação uretral facilita a visualização do cálculo. Nos cães os tumores de bexiga, próstata e uretra são as causas mais comuns da obstrução. Nas fêmeas pode estar associada ao granuloma por fio de sutura após a castração.

 

Cálculo vesical medindo aproximadamente 0,3cm em bexiga de felino:

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Uretra dilatada pela obstrução por cálculo em bexiga de felino:

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Uretra dilatada com sonda uretral para hidropropulsão ( empurrar o cálculo com soro fisológico):

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Neoplasias renais não são comuns, sendo as metástases mais frequentes. O tipo de tumor não pode ser identificado na ultrassonografia, mas massas uniformes geralmente estão associadas a linfomas.

Em cães, os tumores mais comuns são o adenocarcinoma (maligno) e hemangioma (benigno). Em gatos é o linfossarcoma.

O diagnóstico definitivo depende do histórico, exames laboratoriais e , se possível, biópsia.

Tumores (massa) localizados em ambos os rins de um felino, com características típicas de linfoma e confirmados na histopatologia:

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Hidroureter:

As ureteroceles são dilatações congênitas do ureter terminal, resultando em estenose do meatouretral. Pode aparecer como estrutura cística de paredes finas projetando para o lúmen da vesícula e estar acompanhado de hidroureter  e dilatação de pelve renal.

Na obstrução completa, o ureter vai aparecer dilatado cranialmente, com redução abrupta na porção caudal ao cálculo. Diversos cálculos migratórios podem estar presentes e se estenderem até a bexiga.

Hidronefrose:

É a dilatação do sistema coletor secundária a obstrução. A obstrução do ureter causa grande dilatação da pelve. O parênquima renal vai variar de acordo com o nível de dilatação e o tempo de obstrução. Deve se acompanhar a dilatação do ureter até a vesícula urinária para se saber aonde está a obstrução.

Imagens de hidroureter em alguns animais:

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Imagens de Hidronefrose em um felino:

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Fonte: Manual Merck de Veterinária; Roca, oitava edição.