Canino Golden Retrivier de 10 anos, no exame clínico apresentou severa  distensão da vesícula urinária.

No exame ultrassonográfico foi observada vesícula urinária  severamente distendido com grande quantidade de celularidade,cristais e coágulos. Rins com dilatação em pelve, sendo no rim esquerdo com dilatação de ureter até porção distal (hidroureter e hidronefrose discreta). Uretra prostática e penina com dilatação podendo considerar uma uretrite ou processo obstrutivo.

Ainda foi visualizado linfonodo mesentérico reativo sinalizando possível processo inflamatório ou neoplásico.

Foi recomendado associar com outros exames complementares para fechar o diagnóstico (urografia excretora/ radiografia).

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Por o site estar há um tempo sem posts novos. Resolvi publicar alguns casos da minha rotina que considero relevantes e peculiares. Vou publicando mais casos com o decorrer da semana.

Canina poodle de 13 anos com alterações neurológicas e síndrome vestibular; aumento da fosfatase alcalina e enzimas renais. Foi visualizado em topografia de rim direito, uma estrutura medindo 6,0cm (volume aumentado), apresentou pelve dilatada por conteúdo anecóico com estruturas hiperecóicas em suspensão (celularidade/cristais) e faixas hiperecóicas periféricas compatíveis com septo interventricular, sugerindo hidronefrose severa. Ureter direito dilatado até a região distal, medindo até 1,2cm de diâmetro (hidroureter).

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Felino de dois anos, foi observada em região mesogástrica estrutura tubular de contornos irregulares, heterogênea com conteúdo hiperecóico fazendo reverberação (gás?) e com perda de arquitetura em segmento de cólon medindo cerca de 5,0cm. Nos demais segmentos de alça, as paredes estavam preservadas no momento do exame. Peristaltismo habitual (enteropatia). Mesentério adjacente hiperecóico difuso (reativo) com presença de ligeira quantidade de líquido livre abdominal ecogênico, sugerindo processo inflamatório (peritonite). Possivelmente um Linfoma intestinal… Animal não fez o teste de FIV/FELV. Ele veio a óbito horas depois…e não foi feita necrópsia.

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Canino de 1,5 anos, com suspeita de leptospirose, no exame clínico foram observadas mucosas ictéricas, aumento abdominal, urina escura e prostração. No exame ultrassonográfico foi observada bexiga com intensa celularidade e coágulos, líquido livre abdominal, fígado com diminuição do tamanho e contornos irregulares(cirrose), e pancreatite.

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Canino com possível choque séptico. Nota-se o fígado bem hipoecóico,  rins com aumento de volume e corticais espessas (IRA) e esplenomegalia. No exame laboratorial, apresentou aumento de úreia, creatinina, ALT, AST e fofastase.
O clínico relatou que o animal foi mordido durante uma briga com outro cão, onde no local da mordida, após dois dias já estava com miíase e o animal não se levantava, estava com olhar fixo e membros rígidos…

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A cistite polipóide causa espessamento de parede pela presença de múltiplas e pequenas massas que se projetam para o lúmen. A avaliação citológica ou histológica se faz necessária na diferenciação de pólipos e neoplasia (Carvalho, 2004).

* para visualizar o vídeo do exame feito no animal a seguir, acesse https://www.facebook.com/veterinariapriscillapinel .

Imagem de um canino SRD com espessamento de parede e presença de forma vegetativa em parede:

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Os cãe são os mais acometidos. A neoplasia maligna  mais comum é o carcinoma de células de transição, no qual se observa espessamento focal da parede como uma massa irregular que se estende para o lúmen. As benignas mais comuns são os papiloma e o hemangiomas (Carvalho, 2004).

Massas pequenas podem ser detectadas desde que a repleção vesical seja adequada. Em porção caudal é mais comum do que em porção cranial. A bexiga pode estar difusamente envolvida pela neoplasia, causando espessamento de parede, semelhante a cistite crônica (Carvalho, 2004).

Não é recomendada a aspiração por agulha fina, pois pode causar risco de semear células tumorais no trajeto da agulha. Linfonodos ilíacos e sublombares devem ser avaliados para pesquisa de metástase (Carvalho, 2004).

 

Imagens de um canino, em região intraluminal em contato com parede dorsal, foi observada imagem arredondada de contornos definidos e irregulares, heterogênea, medindo 3,6 cm x 2,2 cm:

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Suas causas podem estar relacionadas a cálculos e massas. Os cálculos normalmente formarão sombra acústica, mas se tiver conteúdo de alça intestinal pode prejudicar sua visulaização, é recomendado assim realizar a urografia excretora.

A dilatação uretral facilita a visualização do cálculo. Nos cães os tumores de bexiga, próstata e uretra são as causas mais comuns da obstrução. Nas fêmeas pode estar associada ao granuloma por fio de sutura após a castração.

 

Cálculo vesical medindo aproximadamente 0,3cm em bexiga de felino:

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Uretra dilatada pela obstrução por cálculo em bexiga de felino:

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Uretra dilatada com sonda uretral para hidropropulsão ( empurrar o cálculo com soro fisológico):

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Os tumores vesicais são comuns nos cães e raros em gatos. Acredita-se que a baixa incidência em gatos se deve a uma diferença no metabolismo do triptofano, que resulta em baixas concentrações urinárias dos metabólitos carcinogênicos do triptofano. Ocorre mais comumente em animais idosos (9 anos em média).

Os tumores mais comuns no trato urinário inferior são os papilomas e leimiomas. Sendo os tumores malignos primários os mais comuns, dos quais carcinomas de células transicionais são diagnosticados com maior frequência. Os carcinomas podem ser projeções papilariformes solitárias ou múltiplas a partir da mucosa, ou podem ocorrer como uma infiltração difusa de ureter, bexiga, próstata ou uretra. Eles são altamente invasivos e metastatizam, na maioria das vezes, nos linfonodos regionais e pulmões. Tumores uretrais e vesicais podem causar obstrução crônica para o fluxo urinário, com hidronefrose secundária. Os tumores uretrais causam, com maior probabilidade, urotopia obstrutiva aguda. As infecções bacterianas secundárias no trato urinário são comuns no caso de tumores vesicais e uretrais.

Os sinais mais comuns são:

- Urina com sangue (sendo o mais comum). Animais com hidronefrose, já apresentam dor abdominal e rim palpável com aumento de volume.

- Sinais de uremia também são comuns. Tumores vesicais também podem causar, disúria, estrangúria e polaciúria (urina várias vezes, gotejando). A palpação retal pode auxiliar na detecção de sua presença. A parede da bexiga fica espessada na imagem ultrassonográfica, além de visualizar celularidade e coágulos no seu interior, e a massa heterogênea arredondada e de contornos irregulares. A cistografia de duplo contraste confirma a existência da massa na bexiga. Exige-se biópsia tumoral para fechar o diagnóstico

 

Fonte: Manual Merck  de Veterinária; oitava edição; Roca ed.

- Imagem retirada do livro Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais:

- Imagem de uma cadela de 16 anos, com sinal clínico de sangramento na urina, fazendo comparação com a imagem retirada do livro:

 

 


A nefrite é uma alteração inflamatória do rim, que perde total ou parcialmente a sua capacidade de filtragem. A nefrite pode ser aguda ou crônica.

A nefrite aguda é um quadro de aparecimento súbito, normalmente causada por uma infecção renal. Essa infecção pode ter se iniciado com uma simples cistite (infecção na bexiga), que, quando não tratada, pode atingir os rins. Os sinais clínicos da doença são apatia, vômitos, falta de apetite e anúria (o animal não urina ou urina pouco).

Nem sempre todos esses sinais estão presentes, mas a falta de urina é um alerta. Uma vez que o “filtro” não está funcionando corretamente, produtos tóxicos como a uréia (resultado do metabolismo das proteínas) não são eliminados intoxicando o organismo, daí os vômitos. Exames de urina e sangue irão confirmar o diagnóstico da nefrite e, após o início do tratamento (antibióticos, diuréticos, etc..), o rim volta a funcionar normalmente na grande maioria dos casos. A ultrassonografia também pode auxiliar no fechamento do diagnóstico da nefrite.

A nefrite crônica é um quadro bem mais preocupante, pois nesse caso a maior parte do rim está lesado e sem capacidade de regeneração. Ao contrário da nefrite aguda, o quadro crônico caracteriza-se por uma produção excessiva de urina, pois o rim não consegue reter a água e substâncias importantes ao organismo, mas retém os produtos tóxicos. Assim, teremos um animal desidratado, com emagrecimento progressivo, que urina grandes quantidades a todo o momento e ingere muita água. Ocorrem os vômitos, falta de apetite e apatia. O rim passa a não produzir mais a substância que estimula a medula a produzir glóbulos vermelhos (eritropoetina). O animal apresenta um quadro de anemia. O desequilíbrio orgânico causado pela falência renal será permanente, uma vez que o rim não tem capacidade de se regenerar.

O maior problema da nefrite crônica é a retenção de uréia, que é altamente tóxica. Sinal comum desse quadro de elevação da uréia é o odor e úlceras (feridas) na boca do animal. A uréia pode atingir o sistema nervoso, causando sinais neurológicos como convulsões. Já é realizada no Brasil a hemodiálise nos animais (filtragem do sangue através de aparelhos), o que permite a sobrevida, em alguns casos. O transplante de rins também é uma opção de tratamento para insuficiência renal crônica. Essa cirurgia já é realizada no Brasil com sucesso.

Fonte: http://www.webanimal.com.br

- Nefrite aguda com áreas de calcificação:

- Nefrite crônica, já podendo ser considerada uma insuficiência renal:


Foi realizado o exame de ultrassonografia em um animal de 5 anos com histórico de cálculos vesicais (que foram retirados em procedimentos cirúrgicos) e uma insuficiência renal aguda em consequência destes cálculos. No exame clínico, o animal apresentou vômitos com sangue e prostração, mas ainda não havia feito exames laboratoriais para saber como estava a função renal.

Durante o exame de ultrassonografia, observou-se que o rim esquerdo não aparentava alterações morfológicas, mas apresentava um leve aumento de volume. Porém, quando o rim direito foi visualizado, ele estava com alterações típicas de hidronefrose (dilatação do sistema coletor secundária à obstrução do ureter). O tamanho estava aumentado, com uma fina camada de parênquima renal ao redor da pelve e do sistema coletor, mostrando-os completamente dilatados.

Quando a bexiga foi examinada, observou-se a presença de cálculos e cristais vesicais e uma infecção, fazendo com que a parede da bexiga ficasse espessada (cistite). A presença da hidronefrose caracteriza uma forte relação com esses cálculos que tornaram a se formar.

O animal ainda apresentava uma gastroenterite aguda (estômago e intestinos com uma infecção), possuindo conteúdo líquido e gás.

Posteriormente, o animal evacuou sangue vivo na internação. Ele será submetido à uma cirurgia para retirada desse rim com a hidronefrose e, posteriormente, fará a cirurgia dos cálculos na bexiga.

Tudo isso está relacionado à formação de cálculos na bexiga, por ser um animal propenso a esse tipo de doença. Em casos como o relatado, o correto é fazer uma dieta específica e um acompanhamento periódico.

Cálculo:

 

Rim Direito:

 

 

 


Fique de olho no seu bichinho!!

Ao perceber alguns desses sintomas, leve seu animal ao veterinário!

Animal não consegue urinar? Sente dor? A urina cai em pinguinhos? De cor avermelhada?

Vamos explicar:

- Bexiga Urinária

Comumente encontrada em todos os animais domésticos e nos humanos, e visualizada anatomicamente da mesma forma.

É um órgão oco, que na imagem ultrassonográfica, se encontra anecóica (preta), com margens hiperecóicas (brancas).

Possíveis alterações mais comuns encontradas na bexiga são:

• Cistite, que consiste na infecção urinária mais comum.

A cistite pode ser aguda, o que causa alteração na urina, podendo ter sangue, estar mais concentrada e em alguns casos com cristais.

O animal sentirá do ao urinar, gotejamento de urina, ou ausência em alguns casos.

Se não trata a cistite, pode vir a formar cálculos urinários, e um “tampão” na uretra pela grande quantidade de sedimentos que podem se depositar no canal uretral.

• Coágulos e hematomas, podem se formar decorrentes a trauma, infecção secundária ou neoplasia (tumores).

A urina irá se apresentar avermelhada ou em alguns casos cor de “coca-cola”.

• Cálculos se formam com o agrupamento de cristais, decorrentes de uma cistite, e ou em alguns animais que são predispostos a infecções urinárias.

Os cálculos podem impedir a saída da urina da bexiga e interromper o fluxo na uretra, geralmente se os cálculos forem muito grandes, deve- se fazer uma cirurgia para retirá-los.

A ultrassonografia também ajuda no diagnóstico de:

• Neoplasias
• Corpos estranhos
• Ruptura

Animais predispostos, além de medicamentos, também devem comer rações específicas, para evitar recorrências.

Gatos e algumas raças de cães têm tendência à formação de cálculos e cistite!