Canino SRD de 2 anos apresentou alterações de enzimas renais (creatinina 8), então o clínico solicitou uma ultrassonografia abdominal, na qual, foram visualizadas alterações no parênquima renal, além de líquido livre em região sub-capsular renal (presença do halo ao redor do rim com falência aguda) , dilatação de ureteres proximais, além de outras alterações como: espessamento da parede gástrica e entérica; aumento do volume esplênico e hepático; cristalúria em vesícula urinária e dilatação de uretra; turbilhonamento em veia cava caudal.

 

Imagens renais:

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Alterações em outros órgãos:

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O primeiro caso clínico, foi uma cadela Poodle de 18 anos, com suspeita clínica de piometra fechada (infecção uterina). No exame clínico apresentou dor abdominal e convulsão.

No exame ultrassonográfico foi observado aumento do útero e paredes hiperecóicas e espessadas com moderado líquido livre abdominal e ainda apresentava uma massa heterogênea de contornos irregulares. Além de gastroenterite e doença renal crônica.

O animal veio a óbito durante o exame ultrassonográfico.

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O outro caso clínico, foi de uma cadela de 16anos SRD, que na bioquímica apresentou aumento das enzimas hepáticas, a urina com odor forte e concentrada.

No exame ultrassonográfico foi visualizado; em vesícula urinária intensa celularidade e cristais; rim direito com presença de dois cistos em córtex renal; Adrenais com grande aumento de volume, sendo a esquerda levemente heterogênea; o fígado apresentou  parênquima heterogêneo com presença de nódulos hipoecóicos e um cisto em lobo direito e vesícula biliar com intensa lama e cálculos com dilatação de ducto cístico.

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Por o site estar há um tempo sem posts novos. Resolvi publicar alguns casos da minha rotina que considero relevantes e peculiares. Vou publicando mais casos com o decorrer da semana.

Canina poodle de 13 anos com alterações neurológicas e síndrome vestibular; aumento da fosfatase alcalina e enzimas renais. Foi visualizado em topografia de rim direito, uma estrutura medindo 6,0cm (volume aumentado), apresentou pelve dilatada por conteúdo anecóico com estruturas hiperecóicas em suspensão (celularidade/cristais) e faixas hiperecóicas periféricas compatíveis com septo interventricular, sugerindo hidronefrose severa. Ureter direito dilatado até a região distal, medindo até 1,2cm de diâmetro (hidroureter).

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Felino de dois anos, foi observada em região mesogástrica estrutura tubular de contornos irregulares, heterogênea com conteúdo hiperecóico fazendo reverberação (gás?) e com perda de arquitetura em segmento de cólon medindo cerca de 5,0cm. Nos demais segmentos de alça, as paredes estavam preservadas no momento do exame. Peristaltismo habitual (enteropatia). Mesentério adjacente hiperecóico difuso (reativo) com presença de ligeira quantidade de líquido livre abdominal ecogênico, sugerindo processo inflamatório (peritonite). Possivelmente um Linfoma intestinal… Animal não fez o teste de FIV/FELV. Ele veio a óbito horas depois…e não foi feita necrópsia.

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Canino de 1,5 anos, com suspeita de leptospirose, no exame clínico foram observadas mucosas ictéricas, aumento abdominal, urina escura e prostração. No exame ultrassonográfico foi observada bexiga com intensa celularidade e coágulos, líquido livre abdominal, fígado com diminuição do tamanho e contornos irregulares(cirrose), e pancreatite.

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Canino com possível choque séptico. Nota-se o fígado bem hipoecóico,  rins com aumento de volume e corticais espessas (IRA) e esplenomegalia. No exame laboratorial, apresentou aumento de úreia, creatinina, ALT, AST e fofastase.
O clínico relatou que o animal foi mordido durante uma briga com outro cão, onde no local da mordida, após dois dias já estava com miíase e o animal não se levantava, estava com olhar fixo e membros rígidos…

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Felino de 13 anos, apresentou dor abdominal, a proprietária relatou que o animal está sem comer e não sabe se ele está urinando. No exame clínico, na palpação abdominal sua bexiga estava com pouca repleção. Exames laboratoriais apresentaram uma anemia discreta e enzimas hepáticas e renais normais.
No exame ultrassonográfico apresentou aumento hepático com presença de infiltrado gorduroso, rins diminuídos de tamanho com corticais espessas e hiperecóicas, diminuição da cortico-medular e dilatação de pelve renal e ainda presença de um linfonodo mesentérico reativo.

 

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Os processos inflamatórios hepáticos difusos podem revelar características ultrassonográficas variáveis. Os distúrbios hepáticos difusos podem ser difíceis de ser diferenciados de doenças multifocais maldefinidas. A ecogenicidade parenquimatosa pode estar aumentada, reduzida ou não afetada.

Em gatos a colangiohepatite está mais comumente associada a diminuição na ecogenicidade parenquimatosa e aumento da visibilidade da vasculatura portal. Em cães, a hepatite aguda também tende a causar hipoecogenicidade hepática difusa.

Por outro lado, a hepatite crônica tende a estar associada à fibrose, com a ecogenicidade aumentada. A presença de inflamação ativa crônica, edema, fibrose e necrose, bem como nódulos regenerativos (hiperplasia), tendo um fígado heterogêneo com ecogenicidade mista.

 

Fonte: Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Penninck & D`Anjou.

 

Diferença de parênquimas em dois animais; a primeira imagem de um fígado hiperecóico (ecogenicidade difusa) com intensa lama biliar em vesícula biliar, as duas imagens seguintes são de um fígado hipoecóico de um cão com suspeita de hemoparasitose e Fosfatase Alcalina fora dos limites padrões:

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Platinosomose é uma parasitose de felinos domésticos ou silvestres,causada por um trematódeo da espécie Platynosomum concinnum.Comumente ele habita os ductos biliares e vesícula biliar do gato,mas pode ser encontrado no duodeno ou outras porções proximais do intestino e ductos pancreáticos.Geralmente o quadro passa desapercebido,sem alterações clínicas,mas pode também ocasionar disfunções hepáticas graves,como colestase , colangiohepatite e cirrose.

O parasita é encontrado em áreas tropicais e subtropicais.O ciclo de vida é dependente de invertebrados como moluscos(caracóis) , insetos terrestres(besouros) e lagartixas ou sapos,que estes são os últimos hospedeiros antes dos felinos.O gato ao caçar e ingerir estes animais acabam adquirindo os parasitas que estão encistados no fígado destes hospedeiros,das formas encistadas surgem as metacercárias que migram para se desenvolver nos ductos biliares.

Os sinais clínicos serão proporcionais ao grau de infestação,geralmente há diarréia mucóide,inapetência,perda de peso, anorexia e vômitos.Se houver colestase poderá ser percebida à icterícia,hepatomegalia,anemia,ascite e aumento palpável da vesícula biliar.

No ultra-som pode ser observado espessamento da parede da vesícula biliar e presença de lama biliar, além de dilatação de ductos biliares,dilatação vesicular e hepatomegalia.
Fonte: http://medfelina.blogspot.com.br/2011/01/platinosomose.html

- Dois felinos com histórico de comer lagartixa, com dilatação das vias biliares e hepáticas, paredes ecogênicas:

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A hiperplasia nodular benigna é comum, particularmente em cães, representando muitas das lesões hepáticas focais identificadas na ultrassonografia. As malignas podem ser vistas como massas focais e multifocais. Lesões cavitárias, ocasionalmente, cistos biliares e hepáticos, aparecem como focos bem circunscritos, anecóicos e devem ser diferenciadas de tumores císticos. Abcessos hepáticos são incomuns, tendem a aprecer como lesões hipoecóicas, arredondadas ou ovais, regulares ou irregulares, que são frequentemente cavitárias. Granulomas tendem a aparecer como lesões hiperecóicas, ocorrem por doenças fúngicas ou peritonite infecciosa felina. A hemorragia hepática é rara em cães e gatos, pode estar relacionada a hemangiossarcomas ou traumas. Os hematomas hepáticos também podem desenvolver após procedimentos guiados por ultrassonografia, como biópsia( Penninck, 2011).

Os tumores primários acometem mais animais idosos, podendo ser malignos ou benignos. Os linfomas são os tumores hemolinfáticos mais comuns encontrados no fígado, tanto em cães quanto em gatos.

As neoplasias mestastáticas hepáticas são mais comuns que as neoplasias primárias e podem surgir a partir de muitos orgãos, incluindo pâncreas, baço, trato gastrointestinal, glândulas adrenais, glândulas mamárias e pulmões. Uma neoplasia hepática também pode ter origem hemolinfática, abrangendo linfossarcomas e mastocitomas.

Os sinais clínicos podem ser inespecíficos ou específicos, como a poliúria e polidipsia, vômitos, perda de peso, icterícia, encefalopatia hepática e ascite. No exame físico pode se observar hepatomegalia ou massa abdominal e membranas mucosas pálidas (Merck, 2001).

Os achados radiográficos são variáveis e os ultrassonográficos podem confirmar o envolvimento de um único lobo hepático, alterações nodulares múltiplas ou uma doença difusa, embora não seja capaz de  definir o tipo celular da neoplasia,  a biópsia faz o diagnóstico definitivo (Merck, 2001).

Em caso de tumores hepáticos em muitos lobos o prognóstico é ruim, no caso de um lobo recomenda-se a remoção cirúrgica (Merck, 2001).

Felino com nódulo hiperecóico em lobo medial.

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Felino com presença de nódulos arredondados hipoecóicos em lobo hepático esquerdo e moderado líquido livre.

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Nódulo hepático arredondado hipoecóico, localizado em lobo esquerdo de um canino de 9 anos.

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De causa desconhecida na maioria dos casos e predominância em várias raças como Cocker Spaniels, Bedlington Terries, Dobermans, Poodles, West Highland. Pode se encontrar acúmulo de cobre em alguns casos, e outras infecções podem estar associadas, como hepatite infecciosa canina, leptospirose e intoxicação por drogas.

No caso da idiopática, que é classificada como hepatite periportal crônica. A maioria dos animais afetados tem entre 5 e 6 anos. Pode atingir qualquer raça. Sinais clínicos são: anorexia, diarréia, letargia, perda de peso, polúria, polidipsia, ascite, depressão e fraqueza.

Nos exames laboratorias seriam o aumento de ATL, fosfatase alcalina, dentre outros. As radiografias podem demonstrar um fígado pequeno e com lesões nodulares nas ultrassonografias.  Em cães a hepatite aguda tende a causa hipoecogenicidade difusa (leptospirose), já nas crônicas tende a se associar a fibrose, com ecogenicidade aumentada e nódulos regenerativos (hiperplasia), resultando num fígado heterogêneo com ecogenicidade variável.

Fonte: Manual Merck de Veterinária; ed. ROCA; 8 edição.

 

- Canino de 6 anos com aumento da ecogenicidade difusa e nódulos hiperecóicos, e seu exame de sangue constatou um aumento de ALT e Fosfatase :

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Causada por infecções bacterianas de origem intestinal e que sobem ao ducto biliar comum ou decorrentes de alastramento hematógeno. A infecção pode permanecer na vesícula biliar, resultando a colecistite necrosante ou efisematosa. Neste caso, a parede da vesícula biliar fica danificada e vaza bile no interior do abdômen, originando grave peritonite séptica.

Os sinais clínicos incluem anorexia, dor abdominal, icterícia e vômitos. O animal pode ficar em estado de choque. A ultrassonografia pode auxilar no diagnóstico.

A colecistite também pode se espalhar para os ductos biliares e o parênquima hepático, resultando em colangite e colangiohepatite.

Nas ultrassonografias o espessamento é frequentemente visto, junto com um padrão de dupla borda ( particularmente em casos mais agudos) ou hiperecogenicidade difusa de parede, às vezes associada a mineralização distrófica, em casos de colecistite crônica. Pode haver também dilatação luminal.

 

- FONTE: MANUAL MERCK DE VETERINÁRIA; OITAVA EDIÇÃO; ROCCA ED.

 

 - Animal com a parede mais ecogênica e lama biliar moderada em seu interior (colecistite aguda):

 - Animal com parede mais ecogênica e ducto cístico dilatado, já correlacionando com uma colangite:

- Animal com a parede hiperecóica e espessada (colecistite crônica):