Canino SRD de 2 anos apresentou alterações de enzimas renais (creatinina 8), então o clínico solicitou uma ultrassonografia abdominal, na qual, foram visualizadas alterações no parênquima renal, além de líquido livre em região sub-capsular renal (presença do halo ao redor do rim com falência aguda) , dilatação de ureteres proximais, além de outras alterações como: espessamento da parede gástrica e entérica; aumento do volume esplênico e hepático; cristalúria em vesícula urinária e dilatação de uretra; turbilhonamento em veia cava caudal.

 

Imagens renais:

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Alterações em outros órgãos:

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Canino com possível choque séptico. Nota-se o fígado bem hipoecóico,  rins com aumento de volume e corticais espessas (IRA) e esplenomegalia. No exame laboratorial, apresentou aumento de úreia, creatinina, ALT, AST e fofastase.
O clínico relatou que o animal foi mordido durante uma briga com outro cão, onde no local da mordida, após dois dias já estava com miíase e o animal não se levantava, estava com olhar fixo e membros rígidos…

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A gastrite pode ser aguda ou crônica. A maioria delas é provavelmente secundária à ingestão de substâncias que causam lesão a mucosa gástrica.

A gastrite aguda geralmente pode ser causada por uma improdência dietética que leva a danos na mucosa gástrica. Já a crônica, é causada por várias doenças, incluindo gastrite superficial crônica, atrófica crônica, hipertrófica crônica e eosinofílica.

Um vômito crônico pode se associar com fraqueza, letargia, perda de peso, desitratação e desequilíbrio eletrolítico e destúrbios ácido-básicos. Nos exames de ultrassonografia, vemos espessamento na parede gástrica e difusamente com aumento da ecogenicidade e aumento do peristaltismo.

O prognóstico depende da natureza da doença e da capacidade de erradicá-la ou controlá-la.

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária;ROCA;oitava edição.

 

- Estômagos de três cães com gastrites em diferentes estágios:

 


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Colite

O cólon ajuda a manter os equilíbrios hídrico e eletrolítico e absorver nutrientes;ele também armazena temporariamente fezes e proporciona um ambiente para microrganismos. As colonopatias prejudicam estas funções, e segue-se a diarreia. Já se estimou que cerca de 1/3 dos cães com diarreia crônica apresentam colite. Pode ser classificada de quatro formas: eosinofílica, linfócito-plasmocitária, histiocitária e granulomatosa. A síndrome hipereosinofílica dos gatos é uma variante da enterite eosinofílica, com envolvimentos hepáticos, esplênicos e nos linfonodos renais, mesentéricos adrenais e cardíacos.

A colite aguda pode ser por infiltração mucosa  (ulcerações epiteliais). A crônica  ocasiona uma infiltração com mais fibrose podendo ter uma ulceração também.

Animais com colite apresentam histórico de tenesmo (dor ao defecar) e de fezes com muco, algumas vezes com sangue.

Uma avaliação completa do cólon inclui endoscopia e biópsia. Na ultrassonografia se evidencia as camadas da mucosa do cólon espessadas e de forma difusa, com lesões hiperecóicas e irregulares com conteúdo líquido a pastoso em seu lúmen.

 

Fontes: Manual Merck de Veterinária;  oitava edição; ROCA; Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Dominique Pennick; GEN

- Imagens de colite em cães:

 


Foi realizado exame de ultrassonografia em um felino de 15 anos, com diagnóstico de  possível pancreatite ou duodenite de acordo com seu último exame de ultrassonografia.

No exame clínico, o animal apresentou aumento abdominal, dor e prostração, antes de realizar exames laboratoriais para avaliar as funções.

Durante o exame de ultrassonografia, observou-se um aumento de volume próximo a duodeno e pâncreas, mas não foi possível fechar o diagnóstico.

O animal foi submetido a uma cirurgia para que se investigasse esse possível achado na ultrassonografia. Durante a laparotomia exploratória, foi descoberto que o aumento de volume era uma massa localizada no mesentério, que estava aderida ao duodeno, causando necrose e aumento deste. Foi realizada a retirada deste seguimento e do mesentério.

As primeiras 48 horas foram cruciais para o reestabelecimento do animal, mas este, por ser um felino e de idade avançada, não resistiu e veio a óbito.

- Imagem da região mesogástrica mostrando uma formação próxima a duodeno:

- Cirurgia de laparotomia para retirada da massa:


 

A obstrução total ou obstrução parcial do tubo digestivo pode ter diferentes origens. Na maioria dos casos, no entanto causado pela presença de um corpo estranho. A ocorrência da obstrução do tubo digestivo seja no estômago, esôfago ou intestino pode acarretar graves conseqüências. O animal, na maioria dos casos, superará o problema, desde que se faça um diagnóstico precoce e sejam tomadas rapidamente as medidas necessárias. A prevenção é melhor forma de evitar este problema, evitando dar a cães ossos frágeis, deixá-los fora do alcance brinquedos que possa ficar mordendo, além de evitar que brinque com pedras, agulhas de costurar e qualquer outro objeto que represente perigo.

A ingestão de corpos estranhos que ficam retidos no esôfago ocorre mais comumente nos cães jovens devido aos seus hábitos alimentares indiscriminados, mas pode ocorrer em qualquer idade ou espécie de animal. (BOJRAB, 1996) Os corpos estranhos gástricos freqüentemente são observados nos cães, e incluem agulha, moedas, pedras, gravetos, caroço de pêssego, plástico, papel de alumínio, bolas e brinquedos pequenos, já nos gatos são mais comum encontrar barbantes e outros corpos estranhos lineares. (SHERDING et al., 1998). Os cães com corpos estranhos esofágicos podem ter uma larga diversidade de sinais clínicos que variam de grau de obstrução, a posição do corpo estranho e o traumatismo ocorrido no esôfago. (BOJRAB, 1996).

O diagnóstico é baseado através dos sinais clínicos que variam um pouco, dependendo da duração e a localização e do tipo da obstrução, pacientes com obstruções agudas geralmente apresentam salivação excessiva, engasgamento ou regurgitam logo após de comer, pacientes com uma obstrução de longa duração, algumas vezes, é observada a perda de peso.  No exame físico o corpo estranho às vezes poderá ser palpado se estiver alojado no esôfago cervical, em pacientes com pneumonia por aspiração, pode-se auscultar ruídos pulmonares anormais. A maioria dos corpos estranhos é identificada através de radiografias simples de boa qualidade, caso se suspeita de perfuração esofágica, são recomendados materiais de contraste iodados orgânicos e hidrossolúveis ou iohexol.

A ultrassonografia não é um exame recomendado caso o paciente esteja inconsciente ou em estado de estupor, sendo os procedimentos clínicos de lavagem estomacal realizados com urgência. Muitos casos de dilatação evoluem para a torção gástrica, com consequente deslocamento do baço e possível congestão dos vasos mesentéricos; caso se trate de volvulo, o processo de reposicionamento do estômago deve ser feito cirurgicamente.   As diferenças básicas entre a dilatação e a torção dificilmente serão notadas no ultrassom.

A maior parte dos corpos estranhos esofágicos pode ser removida com êxito por meios não cirúrgicos. É contra indicado forçar um objeto firmemente retido na parede esofágica, pois fazer isto pode causar perfuração ou aumento de tamanho de uma perfuração preexistente. A remoção de um corpo estranho por meio de endoscopia ou gastrotomia, deve-se reavaliar o esôfago quanto a evidências de perfuração.

 

Fonte: REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353 ; Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça – FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400‐000 –Garça/SP – Tel.: (0**14) 3407‐8000 www.revista.inf.br www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VII – Número 12 – Janeiro de 2009 – Periódicos Semestral CORPOS ESTRANHOS NO TRATO GASTRINTESTINAL DE CÃES E GATOS. SOARES, Renato Duarte. ANDRADE, Gabriel Ninin Xavier de. Discente da faculdade de medicina veterinária-FAMED-GARÇA PEREIRA, Daniela Mello. Docente da faculdade de medicina veterinária-FAMED-GARÇA

 

- Imagem de Corpo Estranho em alças intestinais, com a parede irregular e conteúdo líquido no abdômen:


A DII (ou EII- enteropatia inflamatória idiopática) hoje é reconhecida como uma das causas mais comuns de vômitos e diarreias em cães e gatos. O termo doença intestinal inflamatória descreve um grupo de doenças intestinais crônicas que são caracterizadas por uma infiltração difusa dentro da lâmina própria por várias populações de células inflamatórias, incluindo linfócitos, plasmócitos, eosinófilos, neoutrófilos e macrófagos. As doenças inflamatórias mais diagnosticadas em gatos são a enterite linfocítico-plasmocítica, a enterite linfocítica benigna e a colite linfocítico-plasmocítica. Em cães, os tipos mais comuns de DII são a enterite linfocítico-plasmocítica e a colite linfocítico-plasmocítica. As causas definitivas da DIIC em animais permanecem desconhecidas; as causas mais pesquisadas incluem respostas imunes inadequadas de mucosa, alterações de hipersensibilidade da mucosa, influências dietéticas e microorganismos intestinais. Ocorre mais frequentemente em cães e gatos de meia-idade a idosos.

Não existe nenhuma predisposição etária, sexual ou racial aparente associada com a DII (EII). No entanto, ela pode ser mais comum em cães da raça pastor alemão, yorkshire terrier e cocker spaniel inglês e americano e nos gatos de raças puras. A idade média descrita para o desenvolvimento de uma doença clínica é de 6,3 anos nos cães e 6,9 anos nos gatos.

Um dos sinais clínicos mais comuns observados é o vômito, nas doenças intestinais inflamatórias. O vômito é reconhecido como uma ocorrência intermitente por semanas, meses ou anos, quase sempre acompanhado de ânsias, podendo ter fluido claro, biliar ou espumoso. O sangue está raramente presente; se presente, pode indicar envolvimento gástrico concomitante (ex.: erosões, corpos estranhos, gastrite, neoplasia).

Muitos pacientes com DII suave têm uma rotina diária sem mostrar qualquer sinal de desconforto em relação aos episódios de vômito. O segundo sinal mais comum é a diarreia; ela pode ser o sinal mais corriqueiro em cães, podendo ser um único sinal clínico ou ocorrer em conjunto com vômitos intermitentes. A diarreia pode ser aguda ou crônica, sendo a última, a habitualmente avaliada, que é responsiva ou temporariamente responsiva a alterações na dieta ou no tratamento sintomático não específico. Deve-se identificar, primeiramente, se o processo diarreico afeta o intestino delgado, intestino grosso ou ambos. Diarreias do intestino delgado são caracterizadas por grandes quantidades de fezes de consistência mole, volumosas ou aquosas, podendo ocorrer perda de peso e alterações clínicas graves de desidratação, anorexia, apatia e esteatorréia.  As diarreias de origem do intestino grosso são de consistência mole, viscosa; listras intermitentes de sangue fresco podem estar presentes, quantidades pequenas de fezes, com aumento na frequência de tentativa de defecar, defecções em locais anormais.  Os pacientes, em sua maioria, com diarreia limitada de intestino grosso, permanecem ativos e alertas, com apetite normal e não perdem peso. Outros sinais clínicos podem estar presentes como alterações em atitude, atividade, perda de apetite, perda de peso etc.

O diagnóstico diferencial de doenças similares deve ser feito; ex.: giardíase crônica, hipertireoidismo, sensiblilidade alimentar, supercrescimento bacteriano, insuficiência pancreática exógena, pitiose, deficiências de cobalamina etc. Um diagnóstico definitivo de DIIC pode somente ser feito através de biópsia do intestino. Outros testes são feitos para avaliar a condição do paciente e para descarte de outras doenças, hemograma, perfil bioquímico completo, urinálise, coproparasitológicos, mensuração da tiroxina sérica (gatos) e testes para FIV, FELV (gatos). Endoscopia é um importante teste para avaliar a mucosa. Radiografias e Ultrassonografias auxiliam no diagnóstico. O tratamento depende de cada caso, geralmente é feito através de terapia alimentar, drogas imunossupressoras, antibioticoterapia (casos com infecções bacterianas). Animais em tratamento com drogas imunossupressoras a longo prazo devem ser monitorados através de hemograma quanto aos efeitos e complicações. Os casos de DIIC podem ser controlados por longos períodos, porém podem ter recidivas, necessitando de novos tratamentos.

Fonte: Manual Merck de Veterinária; oitava edição; Roca ed.

-Alças intestinais pregueadas de um cão, sem causa definida, animal tem diarreia frequente mesmo com dieta e controle.

-Alças intestinais pregueadas em duodeno descendente do mesmo animal:

 -Alças intestinais pregueadas:


A gastroenterite hemorrágica se caracteriza por um inicio agudo de diarreia aguda em cães anteriormente saudáveis. Se o problema estiver limitado aos vômitos, denomina-se gastrite, se estiver limitado a diarreias, denomina-se enterite. A maior parte das gastroenterites pouco complicadas é provocada pela ingestão de comida estragada ou contaminada, sendo os cães mais afetados devido aos seus hábitos alimentares menos descriminados. É provável um aumento acentuado nas permeabilidades vascular e mucosa. Vazam plasma, hemácias e fluido para o interior do lúmen intestinal. Raramente se observam inflamação e necrose.

Frequentemente, a causa real de gastroenterite permanece desconhecida e a maior parte dos animais recebe tratamento sintomático com o objetivo de reduzir os sinais clínicos que são incômodos para os animais (por exemplo, vômito e diarreia), garantindo, assim,  o bem-estar do animal e a sua recuperação.

Algumas causas específicas de gastroenterite incluem ingestão de corpos estranhos, toxinas, plantas, drogas irritantes, parasitas intestinais, vírus (por exemplo, parvovírus) ou, raramente, bactérias. Nesses casos, o diagnóstico pode ser feito através da realização de testes específicos para essas doenças.

As raças toy e miniaturas jovens de cães parecem ser predispostas. A mortalidade é alta nos cães não tratados.

A doença é frequentemente observada em cães com 2 a 4 anos de idade e se caracteriza por um inicio agudo de vômito e diarreia sanguinolenta, anorexia e depressão. Os cães não ficam clinicamente desidratados, mas, a menos que se inicie um suporte hídrico, pode se desenvolver choque hipovolêmico. A doença não é contagiosa e pode ocorrer sem alterações óbvias na dieta, ambiente ou rotina diária.

A maior parte dos cães e gatos podem não tolerar uma alteração súbita da dieta; como tal, deve-se introduzir lentamente uma nova dieta durante alguns dias.

A vacinação regular também protege o animal contra várias doenças virais graves, tais como a parvovirose, que afeta o trato gastrointestinal.

Finalmente, é importante desparasitar o animal pelo menos 4 vezes por ano com um desparasitante de largo espectro, juntamente com o controle de moscas para prevenir alguns parasitas intestinais (por exemplo, Dipylidium).

 

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária; oitava edição; Roca ed

 

- Parede do estômago de um cão espessada com grande quantidade de líquido e gás no seu interior:

- Alças intestinais com a parede espessada e conteúdo líquido no lúmen do mesmo cão: