Os tumores vesicais são comuns nos cães e raros em gatos. Acredita-se que a baixa incidência em gatos se deve a uma diferença no metabolismo do triptofano, que resulta em baixas concentrações urinárias dos metabólitos carcinogênicos do triptofano. Ocorre mais comumente em animais idosos (9 anos em média).

Os tumores mais comuns no trato urinário inferior são os papilomas e leimiomas. Sendo os tumores malignos primários os mais comuns, dos quais carcinomas de células transicionais são diagnosticados com maior frequência. Os carcinomas podem ser projeções papilariformes solitárias ou múltiplas a partir da mucosa, ou podem ocorrer como uma infiltração difusa de ureter, bexiga, próstata ou uretra. Eles são altamente invasivos e metastatizam, na maioria das vezes, nos linfonodos regionais e pulmões. Tumores uretrais e vesicais podem causar obstrução crônica para o fluxo urinário, com hidronefrose secundária. Os tumores uretrais causam, com maior probabilidade, urotopia obstrutiva aguda. As infecções bacterianas secundárias no trato urinário são comuns no caso de tumores vesicais e uretrais.

Os sinais mais comuns são:

- Urina com sangue (sendo o mais comum). Animais com hidronefrose, já apresentam dor abdominal e rim palpável com aumento de volume.

- Sinais de uremia também são comuns. Tumores vesicais também podem causar, disúria, estrangúria e polaciúria (urina várias vezes, gotejando). A palpação retal pode auxiliar na detecção de sua presença. A parede da bexiga fica espessada na imagem ultrassonográfica, além de visualizar celularidade e coágulos no seu interior, e a massa heterogênea arredondada e de contornos irregulares. A cistografia de duplo contraste confirma a existência da massa na bexiga. Exige-se biópsia tumoral para fechar o diagnóstico

 

Fonte: Manual Merck  de Veterinária; oitava edição; Roca ed.

- Imagem retirada do livro Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais:

- Imagem de uma cadela de 16 anos, com sinal clínico de sangramento na urina, fazendo comparação com a imagem retirada do livro:

 

 


11jun

Tamanduá

 

A língua comprida, pegajosa e flexível é usada pelos tamanduás para apanhar e engolir montes de cupins e formigas. Seu focinho é pontiagudo, a boca tubular e as glândulas salivares, enormes. Desprovidos de dentes, os tamanduás estão sempre produzindo saliva para manter a língua úmida, para que nela grudem os insetos. Espicham-na até os quarenta centímetros de comprimento, deixam-na ao alcance dos cupins ou formigas e, quando está bem cheia, recolhem-na apressadamente.
Tamanduá é o nome das várias espécies de mamíferos que formam a família dos mirmecofagídeos, incluída com as preguiças (bradipodídeos) e os tatus (dasipodídeos) na ordem dos desdentados. Há três espécies na fauna brasileira. A maior é o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), também chamado de tamanduá-açu, tamanduá-cavalo, jurumi ou iurumi, que mede até 1,80m. Uma terça parte do tamanho corresponde à cauda peluda, a “bandeira” que lhe deu nome; e cerca de trinta centímetros, à cabeça estreita. O tamanduá-bandeira é cinza-escuro, com uma mancha preta, orlada de branco, que se projeta do pescoço e do peito para as costas. Diurno, é mais chegado aos campos que às matas e raramente sobe em árvores. Anda pelo chão apoiando-se nas plantas dos pés e nas costas das mãos, que têm garras enormes, capazes de abrir grandes rombos nos cupinzeiros mais firmes. A fêmea dá à luz um filhote por ano, que carrega nas costas cerca de 10 a 12 meses.
O tamanduá-colete (Tamandua tetradactyla), também chamado de tamanduá-mirim, distingue-se pelas manchas contínuas que se estendem dos ombros à cintura, formando uma espécie de jaleco pardo sobre fundo amarelo que lhe cinge as costas e se fecha no peito. O colorido das duas áreas varia muito de tom, mas são sempre os amarelos e pardos que se justapõem em contraste. O tamanduá-colete mede sessenta centímetros de corpo e mais de trinta de cauda, que não é embandeirada, mas sim coberta de pêlos curtos e preênsil, como a dos gambás, e que lhe serve para se locomover pelas árvores. É espécie de ampla dispersão do México ao norte da Argentina. Seu regime alimentar, além de formigas e cupins, inclui também o mel de abelha. A fêmea dá à luz um só filhote, após um período de gestação de 190 dias.
O tamanduaí (Cyclopes didactylus) é o anão da família, pois mede apenas 25cm do focinho à base da cauda, que tem igual comprimento e é preênsil. No Brasil, ocorre principalmente na Amazônia. Tem o pêlo amarelado e sedoso e, em cada pata dianteira, apenas duas garras, ao contrário dos outros, que apresentam três ou quatro. Pendurando-se pela cauda, que enrosca nos galhos, e pelas garras, passa longos períodos em repouso nas árvores.

 

Fonte:http://www.biomania.com.br/bio/

Exame realizado em um Tamanduá Mirim Fêmea (suspeita de cio):

Exame realizado em um Tamanduá Mirim macho (animal havia sido encontrado próximo a um rio com suspeita de afogamento):


 

A obstrução total ou obstrução parcial do tubo digestivo pode ter diferentes origens. Na maioria dos casos, no entanto causado pela presença de um corpo estranho. A ocorrência da obstrução do tubo digestivo seja no estômago, esôfago ou intestino pode acarretar graves conseqüências. O animal, na maioria dos casos, superará o problema, desde que se faça um diagnóstico precoce e sejam tomadas rapidamente as medidas necessárias. A prevenção é melhor forma de evitar este problema, evitando dar a cães ossos frágeis, deixá-los fora do alcance brinquedos que possa ficar mordendo, além de evitar que brinque com pedras, agulhas de costurar e qualquer outro objeto que represente perigo.

A ingestão de corpos estranhos que ficam retidos no esôfago ocorre mais comumente nos cães jovens devido aos seus hábitos alimentares indiscriminados, mas pode ocorrer em qualquer idade ou espécie de animal. (BOJRAB, 1996) Os corpos estranhos gástricos freqüentemente são observados nos cães, e incluem agulha, moedas, pedras, gravetos, caroço de pêssego, plástico, papel de alumínio, bolas e brinquedos pequenos, já nos gatos são mais comum encontrar barbantes e outros corpos estranhos lineares. (SHERDING et al., 1998). Os cães com corpos estranhos esofágicos podem ter uma larga diversidade de sinais clínicos que variam de grau de obstrução, a posição do corpo estranho e o traumatismo ocorrido no esôfago. (BOJRAB, 1996).

O diagnóstico é baseado através dos sinais clínicos que variam um pouco, dependendo da duração e a localização e do tipo da obstrução, pacientes com obstruções agudas geralmente apresentam salivação excessiva, engasgamento ou regurgitam logo após de comer, pacientes com uma obstrução de longa duração, algumas vezes, é observada a perda de peso.  No exame físico o corpo estranho às vezes poderá ser palpado se estiver alojado no esôfago cervical, em pacientes com pneumonia por aspiração, pode-se auscultar ruídos pulmonares anormais. A maioria dos corpos estranhos é identificada através de radiografias simples de boa qualidade, caso se suspeita de perfuração esofágica, são recomendados materiais de contraste iodados orgânicos e hidrossolúveis ou iohexol.

A ultrassonografia não é um exame recomendado caso o paciente esteja inconsciente ou em estado de estupor, sendo os procedimentos clínicos de lavagem estomacal realizados com urgência. Muitos casos de dilatação evoluem para a torção gástrica, com consequente deslocamento do baço e possível congestão dos vasos mesentéricos; caso se trate de volvulo, o processo de reposicionamento do estômago deve ser feito cirurgicamente.   As diferenças básicas entre a dilatação e a torção dificilmente serão notadas no ultrassom.

A maior parte dos corpos estranhos esofágicos pode ser removida com êxito por meios não cirúrgicos. É contra indicado forçar um objeto firmemente retido na parede esofágica, pois fazer isto pode causar perfuração ou aumento de tamanho de uma perfuração preexistente. A remoção de um corpo estranho por meio de endoscopia ou gastrotomia, deve-se reavaliar o esôfago quanto a evidências de perfuração.

 

Fonte: REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353 ; Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça – FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400‐000 –Garça/SP – Tel.: (0**14) 3407‐8000 www.revista.inf.br www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VII – Número 12 – Janeiro de 2009 – Periódicos Semestral CORPOS ESTRANHOS NO TRATO GASTRINTESTINAL DE CÃES E GATOS. SOARES, Renato Duarte. ANDRADE, Gabriel Ninin Xavier de. Discente da faculdade de medicina veterinária-FAMED-GARÇA PEREIRA, Daniela Mello. Docente da faculdade de medicina veterinária-FAMED-GARÇA

 

- Imagem de Corpo Estranho em alças intestinais, com a parede irregular e conteúdo líquido no abdômen:


22mai

Jararaca

Jararaca

Jararaca é o nome comum dos répteis escamados pertencentes ao género Bothrops da família Viperidae. Tem uma variação muito grande quanto a pele, ação da peçonha, e outras características.

A Jararaca-da-mata (Bothrops jararaca) é uma serpente esbelta e terrestre. Possui corpo marrom com manchas triangulares escuras, faixa horizontal preta atrás do olho, e região ao redor da boca com escamas de cor ocre uniforme.

A cor padrão é extremamente variável, consistindo de uma cor de fundo dorsal, que pode ser bege, marrom, cinza, amarelo, verde-oliva, ou quase marrom. Midbody, essa cor é geralmente um pouco mais leve que a cabeça, anterior e posterior. Esta é revestida com uma série de pale gumes, marrom escuro marcações subtriangular ou trapezoidal de ambos os lados do corpo, os ápices de que alcançar a linha vertebral. Estas marcas podem ser situado em frente uns dos outros, ou parcialmente ou completamente justapostas, a maioria das amostras têm um padrão com todos os três variações. Nos jovens, a ponta da cauda é branca.

A cabeça tem uma proeminente, listra marrom escuro que corre atrás do olho de cada lado da cabeça de volta para o ângulo da boca, geralmente tocando os últimos três supralabiais. Dorsalmente, essa faixa é delimitada por uma área distinta pálido. A língua é negra e a íris é dourada a dourada esverdeada com reticulações ligeiramente mais escuras.

A Jararaca-da-mata (Bothrops jararaca) é uma serpente encontrada no Brasil (da Bahia ao Rio Grande do Sul) e em regiões adjacentes no Paraguai e Argentina.

São serpentes peçonhentas, muito comuns no Brasil, em especial na região de Cerrado, onde se tem plantio de cereais, pois este tipo de cultivo favorece a presença de roedores, que são sua principal alimentação.

Vive em ambiente preferencialmente úmidos, como beira de rios e córregos, onde também se encontam ratos e sapos, seus pratos mais caçados. Dorme durante o dia debaixo de folhagens secas e úmidas, e gosta de tomar sol, geralmente sol pós chuva.

 

Fonte : http://www.cobrasbrasileiras.com.br/bothrops_jararaca.html

- Exame ultrassonográfico em uma jararaca gestante:

- Feto de jararaca:

 


O hiperadrenocorticismo é uma doença endócrina que pode acometer cães e gatos, sendo, porém, mais comum em cães. Existem três causas para o resultado final de excesso de corticoesteróides séricos, o hiperadrenocorticismo hipofisário, o iatrogênico e o neoplásico.

 Os sinais clínicos e as lesões estão associadas com hiperadrenocorticismo resultam principalmente de excesso de cortisol crônico. Os cães desenvolvem uma séries de sinais clínicos (barriga abaulada, pele pregueada, fraqueza, tremores musculares, poliúria, polidipsia e polifagia, alopesia) e alterações laboratoriais (glicongênicos, lipolíticos, catabólicos proteicos). A doença é insidiosa e lentamente progressiva.

 Pode-se fazer teste de estimulação de ACTH para identificar corretamente (80-85%).

 A ultrassonografia visa avaliar visualmente o tamanho, o formato, a ecogenicidade e a textura das glândulas adrenais e não pode determinar se há ou não um quadro clínico de síndrome de Cushing instalado. Além de avaliar o tamanho dos rins e fígado, que provavelmente estarão também alterados.

 O tratamento é feito através de administração de Mitotano, que irá regular os níves de cortisol plásmatico, e diminuindo os sinais clínicos progressivamente.

 Em caso de tumor na glândula o tratamento recomendado consiste na remoção cirúrgica da glândula afetada, e administrar o Mitotano ou quetoconazol para tumores funcionais.

Fonte: Manual Merck de Veterinária; oitava edição; Roca ed.

-Animal  com diferença entre as adrenais, sendo a direita com um aumento no volume e a esquerda com aumento de volume e área de calcificação (podendo ser considerada um Adenoma):

-Diferença entre o tamanho das adrenais esquerdas de dois animais, sendo o primeiro considerado normal, e o segundo com um aumento da adrenal:


As tartarugas marinhas são répteis, ou seja, animais pecilotérmicos que necessitam de temperatura ambiente confortável para manutenção das funções fisiológicas normais. Possuem nadadeiras e vivem o tempo todo no mar, com exceção das fêmeas, que saem da água por um curto período de tempo para por os ovos. Na terra, são lentas e vulneráveis, mas, no mar, se deslocam com rapidez e agilidade.

O corpo das tartarugas marinhas é recoberto por um casco, formado por placas córneas e ósseas, com função de proteger e aumentar a hidrodinâmica, facilitando o deslocamento da água. Embora respirem por pulmões, esses animais podem ficar em apnéia por horas em baixo da água, e com isso, o organismo funciona mais lentamente. Desta forma, o coração bate mais devagar (bradicardia), e o fornecimento de oxigênio é auxiliado por um tipo de respiração acessória (feita pela faringe e cloaca), que retira o oxigênio da água.

Algumas características anatômicas e fisiológicas das tartarugas marinhas dificultam o exame físico. A carapaça e o plastrão limitam a auscultação, a palpação e exames como a ultrassonografia e radiografia, mas pode-se ter uma noção de alterações pulmonares ou abdominais. Os exames hematológicos e bioquímicos podem ser realizados através de simples colheitas de amostras e permitem a avaliação de informações importantes.

Algumas espécies são encontradas no Brasil Caretta caretta, Eretmochelys imbricata, Lepidochelys olivacea, Chelonia mydas e Dermochelys coriácea.

Este exame foi realizado, com o animal sedado. Os sinais clínicos dela eram um sangramento nasal e dificuladades respiratórias, provavelmente por algum trauma pulmonar. Não foi possível visualizar alterações pulmonares, pois era muito difícil achar uma janela acústica próxima ao local lesado.

Fonte: Artigo científico: “Principais achados em tartarugas- verdes (Chelonia mydas) encalhadas no Rio Grande do Sul, Brasil.” – autor Carolina Silveira Braga, Porto Alegre, 2011, Universidade Federal  do Rio Grande do Sul. 

 


A DII (ou EII- enteropatia inflamatória idiopática) hoje é reconhecida como uma das causas mais comuns de vômitos e diarreias em cães e gatos. O termo doença intestinal inflamatória descreve um grupo de doenças intestinais crônicas que são caracterizadas por uma infiltração difusa dentro da lâmina própria por várias populações de células inflamatórias, incluindo linfócitos, plasmócitos, eosinófilos, neoutrófilos e macrófagos. As doenças inflamatórias mais diagnosticadas em gatos são a enterite linfocítico-plasmocítica, a enterite linfocítica benigna e a colite linfocítico-plasmocítica. Em cães, os tipos mais comuns de DII são a enterite linfocítico-plasmocítica e a colite linfocítico-plasmocítica. As causas definitivas da DIIC em animais permanecem desconhecidas; as causas mais pesquisadas incluem respostas imunes inadequadas de mucosa, alterações de hipersensibilidade da mucosa, influências dietéticas e microorganismos intestinais. Ocorre mais frequentemente em cães e gatos de meia-idade a idosos.

Não existe nenhuma predisposição etária, sexual ou racial aparente associada com a DII (EII). No entanto, ela pode ser mais comum em cães da raça pastor alemão, yorkshire terrier e cocker spaniel inglês e americano e nos gatos de raças puras. A idade média descrita para o desenvolvimento de uma doença clínica é de 6,3 anos nos cães e 6,9 anos nos gatos.

Um dos sinais clínicos mais comuns observados é o vômito, nas doenças intestinais inflamatórias. O vômito é reconhecido como uma ocorrência intermitente por semanas, meses ou anos, quase sempre acompanhado de ânsias, podendo ter fluido claro, biliar ou espumoso. O sangue está raramente presente; se presente, pode indicar envolvimento gástrico concomitante (ex.: erosões, corpos estranhos, gastrite, neoplasia).

Muitos pacientes com DII suave têm uma rotina diária sem mostrar qualquer sinal de desconforto em relação aos episódios de vômito. O segundo sinal mais comum é a diarreia; ela pode ser o sinal mais corriqueiro em cães, podendo ser um único sinal clínico ou ocorrer em conjunto com vômitos intermitentes. A diarreia pode ser aguda ou crônica, sendo a última, a habitualmente avaliada, que é responsiva ou temporariamente responsiva a alterações na dieta ou no tratamento sintomático não específico. Deve-se identificar, primeiramente, se o processo diarreico afeta o intestino delgado, intestino grosso ou ambos. Diarreias do intestino delgado são caracterizadas por grandes quantidades de fezes de consistência mole, volumosas ou aquosas, podendo ocorrer perda de peso e alterações clínicas graves de desidratação, anorexia, apatia e esteatorréia.  As diarreias de origem do intestino grosso são de consistência mole, viscosa; listras intermitentes de sangue fresco podem estar presentes, quantidades pequenas de fezes, com aumento na frequência de tentativa de defecar, defecções em locais anormais.  Os pacientes, em sua maioria, com diarreia limitada de intestino grosso, permanecem ativos e alertas, com apetite normal e não perdem peso. Outros sinais clínicos podem estar presentes como alterações em atitude, atividade, perda de apetite, perda de peso etc.

O diagnóstico diferencial de doenças similares deve ser feito; ex.: giardíase crônica, hipertireoidismo, sensiblilidade alimentar, supercrescimento bacteriano, insuficiência pancreática exógena, pitiose, deficiências de cobalamina etc. Um diagnóstico definitivo de DIIC pode somente ser feito através de biópsia do intestino. Outros testes são feitos para avaliar a condição do paciente e para descarte de outras doenças, hemograma, perfil bioquímico completo, urinálise, coproparasitológicos, mensuração da tiroxina sérica (gatos) e testes para FIV, FELV (gatos). Endoscopia é um importante teste para avaliar a mucosa. Radiografias e Ultrassonografias auxiliam no diagnóstico. O tratamento depende de cada caso, geralmente é feito através de terapia alimentar, drogas imunossupressoras, antibioticoterapia (casos com infecções bacterianas). Animais em tratamento com drogas imunossupressoras a longo prazo devem ser monitorados através de hemograma quanto aos efeitos e complicações. Os casos de DIIC podem ser controlados por longos períodos, porém podem ter recidivas, necessitando de novos tratamentos.

Fonte: Manual Merck de Veterinária; oitava edição; Roca ed.

-Alças intestinais pregueadas de um cão, sem causa definida, animal tem diarreia frequente mesmo com dieta e controle.

-Alças intestinais pregueadas em duodeno descendente do mesmo animal:

 -Alças intestinais pregueadas:


A gastroenterite hemorrágica se caracteriza por um inicio agudo de diarreia aguda em cães anteriormente saudáveis. Se o problema estiver limitado aos vômitos, denomina-se gastrite, se estiver limitado a diarreias, denomina-se enterite. A maior parte das gastroenterites pouco complicadas é provocada pela ingestão de comida estragada ou contaminada, sendo os cães mais afetados devido aos seus hábitos alimentares menos descriminados. É provável um aumento acentuado nas permeabilidades vascular e mucosa. Vazam plasma, hemácias e fluido para o interior do lúmen intestinal. Raramente se observam inflamação e necrose.

Frequentemente, a causa real de gastroenterite permanece desconhecida e a maior parte dos animais recebe tratamento sintomático com o objetivo de reduzir os sinais clínicos que são incômodos para os animais (por exemplo, vômito e diarreia), garantindo, assim,  o bem-estar do animal e a sua recuperação.

Algumas causas específicas de gastroenterite incluem ingestão de corpos estranhos, toxinas, plantas, drogas irritantes, parasitas intestinais, vírus (por exemplo, parvovírus) ou, raramente, bactérias. Nesses casos, o diagnóstico pode ser feito através da realização de testes específicos para essas doenças.

As raças toy e miniaturas jovens de cães parecem ser predispostas. A mortalidade é alta nos cães não tratados.

A doença é frequentemente observada em cães com 2 a 4 anos de idade e se caracteriza por um inicio agudo de vômito e diarreia sanguinolenta, anorexia e depressão. Os cães não ficam clinicamente desidratados, mas, a menos que se inicie um suporte hídrico, pode se desenvolver choque hipovolêmico. A doença não é contagiosa e pode ocorrer sem alterações óbvias na dieta, ambiente ou rotina diária.

A maior parte dos cães e gatos podem não tolerar uma alteração súbita da dieta; como tal, deve-se introduzir lentamente uma nova dieta durante alguns dias.

A vacinação regular também protege o animal contra várias doenças virais graves, tais como a parvovirose, que afeta o trato gastrointestinal.

Finalmente, é importante desparasitar o animal pelo menos 4 vezes por ano com um desparasitante de largo espectro, juntamente com o controle de moscas para prevenir alguns parasitas intestinais (por exemplo, Dipylidium).

 

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária; oitava edição; Roca ed

 

- Parede do estômago de um cão espessada com grande quantidade de líquido e gás no seu interior:

- Alças intestinais com a parede espessada e conteúdo líquido no lúmen do mesmo cão:

            


A pielonefrite refere-se à infecção da pelve e do parênquima renal, especialmente da medula adjacente, com extensão potencial para o córtex. A doença pode ser manifestada de forma unilateral ou bilateral, aguda ou crônica. A infecção pode ocorrer pela via migração ascendente de bactérias patogênicas presentes no trato urinário inferior ou via hematógena provenientes de focos distantes. O diagnóstico é fundamentado no histórico clínico do paciente, no exame físico e nos achados laboratoriais.  A presente revisão objetiva descrever a patogenia, sinais clínicos, formas de diagnóstico e recursos terapêuticos relacionados a esta enfermidade.

A pielonefrite aguda pode causar sinais sistêmicos, tais como, febre, anorexia, depressão, vômito e dor durante a palpação renal. A pielonefrite crônica pode ser subclínica (febre intermitente, anorexia e depressão) ou pode resultar em uremia, caso seja destruída uma quantidade suficiente de tecido renal. Uma diminuição da capacidade de concentrar a urina pode resultar em polidipsia e poliúria. Uma cistite intercorrente pode causar sinais de doença no trato urinário inferior.

Achados clínicos e exame podem sugerir uma pielonefrite aguda, mas não são muito úteis na crônica. Podem se encontrar um aumento na concentração de uréia e creatinina, bem como outras anormalidades labarotariais associadas a insuficiência renal.

Sua confirmação pode ser difícil, as radiografias e ultrassonografias podem demonstrar aumento de volume renal no caso de pielonefrite aguda, e, rins pequenos e irregulares na crônica.

O prognóstico do paciente é dependente de seu status imunológico e da sua resposta a antibioticoterapia. A pielonefrite, tanto na forma aguda como na forma crônica, pode induzir à doença renal crônica. Os animais, quando diagnosticados e tratados precocemente, possuem um bom prognóstico, porém, quando é iniciado o tratamento de forma tardia para erradicar a infecção, os animais com frequência sofrem dano renal irreversível e se tornam doentes renais crônicos.

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária (8ª ed.; Ed. Roca). PIELONEFRITE EM PEQUENOS ANIMAIS – REVISÃO DE LITERATURA (REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353  / Ano VIII – Número 15 – Julho de 2010 – Periódicos Semestrais)

-Pielonefrite Aguda:

-Pielonefrite Crônica em um Gato:

- Pielonefrite em um cão e já com Hidroureter:

-Pielonefrite no mesmo animal vista de outro corte:

 


Dioctophyma renale é observado ocasionalmente em cães e em muitas outras espécies (incluindo o homem). As fêmeas correspondem aos maiores nematódeos conhecidos com 75 a 100 cm de comprimento e os machos são menores , com até 35 cm de comprimento. Os adultos são vermelhos e vivem nos tecidos renais, quase que sempre, no rim direito. O parênquima renal é destruído gradualmente a medida que o verme fêmea cresce.

Os ovos de casca grossa e esburacados, são eliminados na urina; se forem ingeridos por anelídeos oligoquetos, eclodirão  e se desenvolverão em larvas infectantes. A infecção ocorre na ingestão do analídeo ou de um hospedeiro paratênico (peixes carnívoros de água doce), que ingere o verme anelídeo infectado. As larvas migram do estômago ou duodeno para a cavidade peritoneal , e ocasionalmente, no fígado, antes do amadurecerem no rim. Os ovos são eliminados na urina 4 a 6 meses após a infecção.

Não aparecem sinais clínicos até que os parasitas se aproximem ou atinjam a maturidade. Com isso, começa a ocorrer perda de peso acentuada, hematúria, micção frequente, inquietação e evidências de dor abdominal ou lombar grave. Pode ocorrer anemia após uma perda de sangue. O diagnóstico se baseia nos sinais clínicos e presença de ovos na urina. Também pode-se detectar o verme adulto na radiografia e na ultrassonografia.

Recomenda-se evitar a ingestão de carne de peixe crua ou de outros organismos aquáticos, especialmente nas áreas em que se sabe que o parasita ocorre em animais silvestres. Uma nefrectomia nosa estágios iniciais da infecção leva a uma recuperação rápida.

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária (8ª ed; Ed. Roca). PIELONEFRITE EM PEQUENOS ANIMAIS – REVISÃO DE LITERATURA (REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353  / Ano VIII – Número 15 – Julho de 2010 – Periódicos Semestrais)

 

- Imagem ultrassonográfica de Dioctophyma renale  no rim direito de um cão:

- Ovos de Dioctophyma renale  na urina do mesmo cão:

-  Dois Dioctophyma renale  retirados após cirurgia de nefrectomia do rim direito do mesmo cão:

-Dioctophyma renale  medindo aproximadamente 50 cm o maior:

- Rim direito totalmente destruído, somente com a cápsula renal: