O diabetes melito, o hiperadrenocorticismo e o hipertireoidismo podem causar alterações hepáticas. A lipidose hepática ocorre secundariamente a diabetes melito, devido ao aumento do metabolismo e na mobilização de lipídicos. Observa hepatomegalia e aumento das enzimas hepáticas. Nos cães com diabetes melito raramente possuem disfunção hepática. Os animais diabéticos também se encontram em aumento de risco de pancreatite, infecções bacterianas ou síndrome hepatocutânea.

Nos cães com hiperadrenocorticismo, as alterações hepáticas são parecidas  com as observadas em uma intoxicação por glicocorticóides sendo resolvidas com um tratamento específico para hiperadrenocorticismo.

Nos gatos o hipertireodismo, há um aumento de fosfatase alcalina e ALT e possivelmente uma hiperbilirrubinemia. A função hepática permanece normal. As possíveis causas de alterações hepáticas  veêm do excesso de hormônios tireodianos, desnutrição ou , se houver toxicose tireoidiana cardíaca, hipóxia devido à insuficiência cardíaca congestiva. Após tratamento as enzimas hepáticas voltarão ao normal.

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária; oitava edição; ROCA.

 

 - Fígado de alguns animais, com aumento difuso de ecogenincidade:


A lipidose hepática é uma doença de causa indeterminada, associada a um período de anorexia (poucos dias a semanas sem comer), especialmente em gatos obesos. Algumas possíveis causas seriam uma mudança na alimentação, estresse (mudança de ambiente, transporte, morte de outros animais ou do proprietário). A lipidose hepática secundária está relacionada a uma doença metabólica (diabetes melittus) ou uma gastroenteropatia (enteropatia inflamatória, corpo estranho, pancreatite ou colangiohepatite). Com isto ocorre o acúmulo excessivo de gorduras dentro do fígado, que leva a colestase intra-hepática grave e a insuficiência hepática.

Os sinais clínicos são variáveis, mas podem incluir uma drástica perda de peso por anorexia, vômitos, letargia e diarréia. Comumente ocorre icterícia de mucosas, ptialismo, hepatomegalia e diminuição da condição corporal com a retenção de gordura abdominal.

Nas radiografias, pode-se notar um derrame peritoneal. Em uma avaliação ultrassonográfica o fígado costuma aparecer difusamente hiperecóico, quando comparado com o ligamento falciforme e aumentado de tamanho. Se houver também pancreatite, pode aparecer um derrame abdominal (ascite) e alterações pancreáticas.

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária; oitava edição; ed. ROCA.

-Imagem de dois felinos com Lipidose Hépatica, mostrando o infiltrado de gordura aumentado, e com isso a ecogenicidade fica difusa:


 

A colangite e a colangiohepatite são comuns em gatos e cães. A classificação clássica das hepatopatias inflamatórias em gatos inclui colangite e colangiohepatite agudas e crônicas ou linfocitárias e cirrose biliar.

A colangite é definida como inflamação no sistema biliar. Na colangiohepatite a inflamação se estende para o interior do parênquima hepático.  A cirrose biliar se refere à fibrose portal e à hiperplasia biliar, que ocorre após uma inflamação de longa duração. Com o passar do tempo, uma colangiohepatite pode evoluir para uma cirrose e à uma hepatopatia em estágio final.

Nas agudas podem estar associadas a infecções bacterianas fúngicas ou de protozoários. Os sinais clínicos são: febre, hepatomegalia, dor abdominal, icterícia, letargia, vômito e anorexia. Nas crônicas sugerem uma infecção imune subjacente (alta incidência em gatos persa).

Na ultrassonografia a imagem em gatos estará com a ecogenicidade diminuída e com os vasos portais dilatados, estando associado a lama biliar, colelitíase e espessamento de parede. Na colangiohepatite aguda, podemos ainda observar a diminuição generalizada da ecogenicidade hepática e , em alguns casos, discreta dilatação de ducto cístico. Nos casos crônicos, terá um aumento da ecogenicidade hepática, sendo mais frequente em felinos. Nos processos inflamatórios agudos, o espessamento ocorre devido ao edema de parede.

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária; oitava edição; ed. ROCA. Ultra-sonografia em pequenos animais; Cibele figueira Carvalho; ed. ROCA.

 

- Imagens de um felino com hepatomegalia, ecogenicidade hepática diminuída, dilatação de ducto cístico e espessamento de vesícula biliar, mostrando uma colangiohepatite:

- Imagens de dois cães com hepatomegalia, ecogenicidade hepática aumentada, dilatação de ducto cístico e espessamento de vesícula biliar, mostrando uma colangiohepatite:

- Imagem de um felino com dilatação de ducto císitco, mostrando uma colangite:

- Imagens de dois cães com ducto cístico dilatado, sendo o segundo ainda com espessamento na parede da vesícula biliar, mostrando uma colangite:


 

A gastrite pode ser aguda ou crônica. A maioria delas é provavelmente secundária à ingestão de substâncias que causam lesão a mucosa gástrica.

A gastrite aguda geralmente pode ser causada por uma improdência dietética que leva a danos na mucosa gástrica. Já a crônica, é causada por várias doenças, incluindo gastrite superficial crônica, atrófica crônica, hipertrófica crônica e eosinofílica.

Um vômito crônico pode se associar com fraqueza, letargia, perda de peso, desitratação e desequilíbrio eletrolítico e destúrbios ácido-básicos. Nos exames de ultrassonografia, vemos espessamento na parede gástrica e difusamente com aumento da ecogenicidade e aumento do peristaltismo.

O prognóstico depende da natureza da doença e da capacidade de erradicá-la ou controlá-la.

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária;ROCA;oitava edição.

 

- Estômagos de três cães com gastrites em diferentes estágios:

 


12set

Colite

O cólon ajuda a manter os equilíbrios hídrico e eletrolítico e absorver nutrientes;ele também armazena temporariamente fezes e proporciona um ambiente para microrganismos. As colonopatias prejudicam estas funções, e segue-se a diarreia. Já se estimou que cerca de 1/3 dos cães com diarreia crônica apresentam colite. Pode ser classificada de quatro formas: eosinofílica, linfócito-plasmocitária, histiocitária e granulomatosa. A síndrome hipereosinofílica dos gatos é uma variante da enterite eosinofílica, com envolvimentos hepáticos, esplênicos e nos linfonodos renais, mesentéricos adrenais e cardíacos.

A colite aguda pode ser por infiltração mucosa  (ulcerações epiteliais). A crônica  ocasiona uma infiltração com mais fibrose podendo ter uma ulceração também.

Animais com colite apresentam histórico de tenesmo (dor ao defecar) e de fezes com muco, algumas vezes com sangue.

Uma avaliação completa do cólon inclui endoscopia e biópsia. Na ultrassonografia se evidencia as camadas da mucosa do cólon espessadas e de forma difusa, com lesões hiperecóicas e irregulares com conteúdo líquido a pastoso em seu lúmen.

 

Fontes: Manual Merck de Veterinária;  oitava edição; ROCA; Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Dominique Pennick; GEN

- Imagens de colite em cães:

 


Foi realizado exame de ultrassonografia em um felino de 15 anos, com diagnóstico de  possível pancreatite ou duodenite de acordo com seu último exame de ultrassonografia.

No exame clínico, o animal apresentou aumento abdominal, dor e prostração, antes de realizar exames laboratoriais para avaliar as funções.

Durante o exame de ultrassonografia, observou-se um aumento de volume próximo a duodeno e pâncreas, mas não foi possível fechar o diagnóstico.

O animal foi submetido a uma cirurgia para que se investigasse esse possível achado na ultrassonografia. Durante a laparotomia exploratória, foi descoberto que o aumento de volume era uma massa localizada no mesentério, que estava aderida ao duodeno, causando necrose e aumento deste. Foi realizada a retirada deste seguimento e do mesentério.

As primeiras 48 horas foram cruciais para o reestabelecimento do animal, mas este, por ser um felino e de idade avançada, não resistiu e veio a óbito.

- Imagem da região mesogástrica mostrando uma formação próxima a duodeno:

- Cirurgia de laparotomia para retirada da massa:


Ovários policísticos ou císticos estão relacionados ao cio persistente. Os cistos foliculares são raros e resultam na secreção prolongada de estrógenos, sinais prolongados de pró-estro e estro e/ou atração por machos.

Pode não ocorrer ovulação, durante este ciclo estral anormal. Pode-se suspeitar de cistos foliculares em cadelas que apresentem manifestações clínicas de cio por mais de 21 dias.

Nas gatas são mais difíceis de diferenciar dos ciclos frequentes e normais. Uma castração (ovário histerectomia) é o mais indicado.

 

Imagens de ovários císticos e policísticos:


Foi realizado o exame de ultrassonografia em um felino persa de 8 anos, com histórico de urinar com sangue e pouco, e uma possível insuficiência renal aguda.

No exame clínico, antes de realizar os exames laboratoriais para saber avaliar a função renal, o animal apresentava urina com sangue, prostração e dor.

Durante o exame de ultrassonografia, observou-se que ambos os rins apresentavam múltiplos cistos e aumento de volume. Os rins policísticos podem não apresentar sinal clínico ou uma insuficiência renal progressiva. Pode aparecer pielonefrite intecorrentemente e precipitar a insuficiência renal.

O diagnóstico baseia-se nos achados físicos, radiográficos ou em exames ultrassonográficos.

Em casos como este, o ideal é fazer um acompanhamento do animal, já que, não se pode retirar ambos os rins.

 

- Ambos rins com vários cistos em seu interior:

 


O sangramento e secreção que algumas cadelas apresentam logo após o cio, podem estar relacionados ao uso de anticoncepcionais (progesterona de longa duração para retardar o estro), infecção por inseminação ou pós-cópula,  podendo no futuro causar infecção de ovário e útero (pioemetra).

A piometra é um distúrbio diestral hormonalmente mediado, caracterizado pelo endométrio anormal com infecção bacteriana secundária.

Os sinais clínicos são vistos logo após o estro (4 a 8 semanas) ou administração de anticoncepcionais, e incluem letargia, anorexia, poliúria, podipsia e vômito. Quando a cérvix está aberta, encontra-se uma secreção purulenta e frequentemente com sangue. Quando está fechada, não ocorre secreção alguma e o útero fica com grande aumento de tamanho e aparece uma distensão abdominal. Os sinais podem progredir rapidamente para choque séptico e morte.

Nos exames laboratorias a leucometria do animal pode parecer normal, mas, na maioria das vezes, aumentada. A ultrassonografia abdominal é o método mais utilizado para o diagnóstico final, visualizando um grande aumento dos cornos uterinos e quantidade significativa de celularidade dentro destes.

O tratamento mais eficaz é a retirada do útero e ovários por cirurgia (OSH- ovário salpingo histerectomia).

- Cornos uterinos com aumento no volume e conteúdo com celularidade:

- Após retirada cirúrgica de útero e ovários:


Foi realizado exame de ultrassonografia em um canino de aproximadamente 6 anos que foi encontrado, após ter sido atropelado por um ônibus. No exame clínico, o animal apresentou muita dor abdominal e nas articulações, e urina com sangue, antes dos exames laboratoriais que investigaria o resto das funções.

Durante o exame de ultrassonografia, realizado imediatamente após sua chegada, observou-se que havia líquido livre na cavidade, mas em pouca quantidade e bexiga apresentava bastante celularidade, porém sem estar rompida. Em um segundo exame realizado horas depois, observou um aumento na quantidade de líquido livre, e o baço não apresentava continuidade, com presença de coágulos ao seu redor. A quantidade de celularidade da bexiga havia diminuído e o animal ainda apresentava dor nas articulações.

Posteriormente, o animal foi submetido a procedimento cirúrgico (laparotomia exploratória), em que se observou uma grande quantidade de coágulos, indicando que o próprio animal estava tentando se recuperar, e o baço rompido. O baço foi retirado e o animal ficou internado para recuperação. O animal passa bem até o presente momento.

-Líquido livre próximo ao baço com coágulos:

 - Descontinuidade do baço na imagem ultrassonográfica:

- Baço rompido retirado após cirurgia: