De causa desconhecida na maioria dos casos e predominância em várias raças como Cocker Spaniels, Bedlington Terries, Dobermans, Poodles, West Highland. Pode se encontrar acúmulo de cobre em alguns casos, e outras infecções podem estar associadas, como hepatite infecciosa canina, leptospirose e intoxicação por drogas.

No caso da idiopática, que é classificada como hepatite periportal crônica. A maioria dos animais afetados tem entre 5 e 6 anos. Pode atingir qualquer raça. Sinais clínicos são: anorexia, diarréia, letargia, perda de peso, polúria, polidipsia, ascite, depressão e fraqueza.

Nos exames laboratorias seriam o aumento de ATL, fosfatase alcalina, dentre outros. As radiografias podem demonstrar um fígado pequeno e com lesões nodulares nas ultrassonografias.  Em cães a hepatite aguda tende a causa hipoecogenicidade difusa (leptospirose), já nas crônicas tende a se associar a fibrose, com ecogenicidade aumentada e nódulos regenerativos (hiperplasia), resultando num fígado heterogêneo com ecogenicidade variável.

Fonte: Manual Merck de Veterinária; ed. ROCA; 8 edição.

 

- Canino de 6 anos com aumento da ecogenicidade difusa e nódulos hiperecóicos, e seu exame de sangue constatou um aumento de ALT e Fosfatase :

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Causada por infecções bacterianas de origem intestinal e que sobem ao ducto biliar comum ou decorrentes de alastramento hematógeno. A infecção pode permanecer na vesícula biliar, resultando a colecistite necrosante ou efisematosa. Neste caso, a parede da vesícula biliar fica danificada e vaza bile no interior do abdômen, originando grave peritonite séptica.

Os sinais clínicos incluem anorexia, dor abdominal, icterícia e vômitos. O animal pode ficar em estado de choque. A ultrassonografia pode auxilar no diagnóstico.

A colecistite também pode se espalhar para os ductos biliares e o parênquima hepático, resultando em colangite e colangiohepatite.

Nas ultrassonografias o espessamento é frequentemente visto, junto com um padrão de dupla borda ( particularmente em casos mais agudos) ou hiperecogenicidade difusa de parede, às vezes associada a mineralização distrófica, em casos de colecistite crônica. Pode haver também dilatação luminal.

 

- FONTE: MANUAL MERCK DE VETERINÁRIA; OITAVA EDIÇÃO; ROCCA ED.

 

 - Animal com a parede mais ecogênica e lama biliar moderada em seu interior (colecistite aguda):

 - Animal com parede mais ecogênica e ducto cístico dilatado, já correlacionando com uma colangite:

- Animal com a parede hiperecóica e espessada (colecistite crônica):

 


Nos cães a pancreatite aguda é mais comum nos animais de meia idade a idosos. Os cães afetados são geralmente obesos ou fêmeas. Nos gatos, pode ocorrer em todos os grupos étarios e não existe nenhuma predileção por obesidade ou sexo. Mesmo assim, gatos de meia idade a idosos são mais afetados.

Nã há nenhuma causa específica em cães, além de traumatismos parenquimatosos ou vasculares e hiperlipidemia (por uma ingestão de alimentos gordurosos, que possam disparar esse distúrbio) ou hipercalcemia por excesso de drogas.

Os sinais variam, sendo mais inespecíficos (gastroenterite, perfuração GI, infarto intestinal, vólvulo intestinal e coleicistite efisematosa). Os achados comuns nos cães e gatos incluem um ínicio súbito de vômito, anorexia, depressão, febre, desconforto abdominal e desidratação. Nos gatos é frequente anorexia e depressão com vômitos variáveis.

O diagnóstico pode ser pela interpretação de níveis séricos de lipase e amilase e distúrbios abdominais (perfurações e obstruções intestinais). A obtenção de imagens diagnósticas pancreáticas pode ser realizada por radiografia, ultrassonografia e tomografia computadorizada. Os achados radiográficos típicos incluem perda de detalhes nas secções abdominais direita anterior e média, devido a peritonite. O ducto pancreático não é normalmente observado quando está normal na ultrassonografia, mas pode detectar inchaço pancreático e hipoecóico com  formação de flegmões e pseudocistos (lesões cavitárias com conteúdo anecóico) quando se ocorre uma pancreatite aguda. Nos gatos a pancreatite pode estar associada a lipidose hepática, doença intestinal inflamatória e colangiohepatite.

Já pancreatite crônica, seu resultado se dá a continuidade do processo inflamatório com mudanças irreversíveis e perda das funções exócrinas da glândula. Ocorre um aumento da ecogenicidade na ultrassonografia, decorrente da substituição por tecido fibroso e/ou gorduroso. Nos gatos ocorre uma diminuição difusa da ecogenicidade, com presença de mesnetério reativo ao redor do órgão e aumento da ecogenicidade do fígado com líquido livre em peritônio ao redor.

 

Fontes: Manual Merck de Veterinária; oitava edição; ed. ROCA. Atlas de Ultrassonografia de Pequenos animais; Dominique Penninck; Marc- André d’ Anjou; ed Guanabara Koogan (imagens).

 

- Imagens de cães com pancreatite aguda:

- Imagens de gatos com pancreatite:


O diabetes melito, o hiperadrenocorticismo e o hipertireoidismo podem causar alterações hepáticas. A lipidose hepática ocorre secundariamente a diabetes melito, devido ao aumento do metabolismo e na mobilização de lipídicos. Observa hepatomegalia e aumento das enzimas hepáticas. Nos cães com diabetes melito raramente possuem disfunção hepática. Os animais diabéticos também se encontram em aumento de risco de pancreatite, infecções bacterianas ou síndrome hepatocutânea.

Nos cães com hiperadrenocorticismo, as alterações hepáticas são parecidas  com as observadas em uma intoxicação por glicocorticóides sendo resolvidas com um tratamento específico para hiperadrenocorticismo.

Nos gatos o hipertireodismo, há um aumento de fosfatase alcalina e ALT e possivelmente uma hiperbilirrubinemia. A função hepática permanece normal. As possíveis causas de alterações hepáticas  veêm do excesso de hormônios tireodianos, desnutrição ou , se houver toxicose tireoidiana cardíaca, hipóxia devido à insuficiência cardíaca congestiva. Após tratamento as enzimas hepáticas voltarão ao normal.

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária; oitava edição; ROCA.

 

 - Fígado de alguns animais, com aumento difuso de ecogenincidade:


A lipidose hepática é uma doença de causa indeterminada, associada a um período de anorexia (poucos dias a semanas sem comer), especialmente em gatos obesos. Algumas possíveis causas seriam uma mudança na alimentação, estresse (mudança de ambiente, transporte, morte de outros animais ou do proprietário). A lipidose hepática secundária está relacionada a uma doença metabólica (diabetes melittus) ou uma gastroenteropatia (enteropatia inflamatória, corpo estranho, pancreatite ou colangiohepatite). Com isto ocorre o acúmulo excessivo de gorduras dentro do fígado, que leva a colestase intra-hepática grave e a insuficiência hepática.

Os sinais clínicos são variáveis, mas podem incluir uma drástica perda de peso por anorexia, vômitos, letargia e diarréia. Comumente ocorre icterícia de mucosas, ptialismo, hepatomegalia e diminuição da condição corporal com a retenção de gordura abdominal.

Nas radiografias, pode-se notar um derrame peritoneal. Em uma avaliação ultrassonográfica o fígado costuma aparecer difusamente hiperecóico, quando comparado com o ligamento falciforme e aumentado de tamanho. Se houver também pancreatite, pode aparecer um derrame abdominal (ascite) e alterações pancreáticas.

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária; oitava edição; ed. ROCA.

-Imagem de dois felinos com Lipidose Hépatica, mostrando o infiltrado de gordura aumentado, e com isso a ecogenicidade fica difusa:


 

A colangite e a colangiohepatite são comuns em gatos e cães. A classificação clássica das hepatopatias inflamatórias em gatos inclui colangite e colangiohepatite agudas e crônicas ou linfocitárias e cirrose biliar.

A colangite é definida como inflamação no sistema biliar. Na colangiohepatite a inflamação se estende para o interior do parênquima hepático.  A cirrose biliar se refere à fibrose portal e à hiperplasia biliar, que ocorre após uma inflamação de longa duração. Com o passar do tempo, uma colangiohepatite pode evoluir para uma cirrose e à uma hepatopatia em estágio final.

Nas agudas podem estar associadas a infecções bacterianas fúngicas ou de protozoários. Os sinais clínicos são: febre, hepatomegalia, dor abdominal, icterícia, letargia, vômito e anorexia. Nas crônicas sugerem uma infecção imune subjacente (alta incidência em gatos persa).

Na ultrassonografia a imagem em gatos estará com a ecogenicidade diminuída e com os vasos portais dilatados, estando associado a lama biliar, colelitíase e espessamento de parede. Na colangiohepatite aguda, podemos ainda observar a diminuição generalizada da ecogenicidade hepática e , em alguns casos, discreta dilatação de ducto cístico. Nos casos crônicos, terá um aumento da ecogenicidade hepática, sendo mais frequente em felinos. Nos processos inflamatórios agudos, o espessamento ocorre devido ao edema de parede.

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária; oitava edição; ed. ROCA. Ultra-sonografia em pequenos animais; Cibele figueira Carvalho; ed. ROCA.

 

- Imagens de um felino com hepatomegalia, ecogenicidade hepática diminuída, dilatação de ducto cístico e espessamento de vesícula biliar, mostrando uma colangiohepatite:

- Imagens de dois cães com hepatomegalia, ecogenicidade hepática aumentada, dilatação de ducto cístico e espessamento de vesícula biliar, mostrando uma colangiohepatite:

- Imagem de um felino com dilatação de ducto císitco, mostrando uma colangite:

- Imagens de dois cães com ducto cístico dilatado, sendo o segundo ainda com espessamento na parede da vesícula biliar, mostrando uma colangite:


 

A gastrite pode ser aguda ou crônica. A maioria delas é provavelmente secundária à ingestão de substâncias que causam lesão a mucosa gástrica.

A gastrite aguda geralmente pode ser causada por uma improdência dietética que leva a danos na mucosa gástrica. Já a crônica, é causada por várias doenças, incluindo gastrite superficial crônica, atrófica crônica, hipertrófica crônica e eosinofílica.

Um vômito crônico pode se associar com fraqueza, letargia, perda de peso, desitratação e desequilíbrio eletrolítico e destúrbios ácido-básicos. Nos exames de ultrassonografia, vemos espessamento na parede gástrica e difusamente com aumento da ecogenicidade e aumento do peristaltismo.

O prognóstico depende da natureza da doença e da capacidade de erradicá-la ou controlá-la.

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária;ROCA;oitava edição.

 

- Estômagos de três cães com gastrites em diferentes estágios:

 


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Colite

O cólon ajuda a manter os equilíbrios hídrico e eletrolítico e absorver nutrientes;ele também armazena temporariamente fezes e proporciona um ambiente para microrganismos. As colonopatias prejudicam estas funções, e segue-se a diarreia. Já se estimou que cerca de 1/3 dos cães com diarreia crônica apresentam colite. Pode ser classificada de quatro formas: eosinofílica, linfócito-plasmocitária, histiocitária e granulomatosa. A síndrome hipereosinofílica dos gatos é uma variante da enterite eosinofílica, com envolvimentos hepáticos, esplênicos e nos linfonodos renais, mesentéricos adrenais e cardíacos.

A colite aguda pode ser por infiltração mucosa  (ulcerações epiteliais). A crônica  ocasiona uma infiltração com mais fibrose podendo ter uma ulceração também.

Animais com colite apresentam histórico de tenesmo (dor ao defecar) e de fezes com muco, algumas vezes com sangue.

Uma avaliação completa do cólon inclui endoscopia e biópsia. Na ultrassonografia se evidencia as camadas da mucosa do cólon espessadas e de forma difusa, com lesões hiperecóicas e irregulares com conteúdo líquido a pastoso em seu lúmen.

 

Fontes: Manual Merck de Veterinária;  oitava edição; ROCA; Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Dominique Pennick; GEN

- Imagens de colite em cães:

 


Foi realizado exame de ultrassonografia em um felino de 15 anos, com diagnóstico de  possível pancreatite ou duodenite de acordo com seu último exame de ultrassonografia.

No exame clínico, o animal apresentou aumento abdominal, dor e prostração, antes de realizar exames laboratoriais para avaliar as funções.

Durante o exame de ultrassonografia, observou-se um aumento de volume próximo a duodeno e pâncreas, mas não foi possível fechar o diagnóstico.

O animal foi submetido a uma cirurgia para que se investigasse esse possível achado na ultrassonografia. Durante a laparotomia exploratória, foi descoberto que o aumento de volume era uma massa localizada no mesentério, que estava aderida ao duodeno, causando necrose e aumento deste. Foi realizada a retirada deste seguimento e do mesentério.

As primeiras 48 horas foram cruciais para o reestabelecimento do animal, mas este, por ser um felino e de idade avançada, não resistiu e veio a óbito.

- Imagem da região mesogástrica mostrando uma formação próxima a duodeno:

- Cirurgia de laparotomia para retirada da massa:


Ovários policísticos ou císticos estão relacionados ao cio persistente. Os cistos foliculares são raros e resultam na secreção prolongada de estrógenos, sinais prolongados de pró-estro e estro e/ou atração por machos.

Pode não ocorrer ovulação, durante este ciclo estral anormal. Pode-se suspeitar de cistos foliculares em cadelas que apresentem manifestações clínicas de cio por mais de 21 dias.

Nas gatas são mais difíceis de diferenciar dos ciclos frequentes e normais. Uma castração (ovário histerectomia) é o mais indicado.

 

Imagens de ovários císticos e policísticos: