Felina de 17 anos há cinco meses foi diagnosticada com linfoma intestinal, em que foi realizada ultrassonografia abdominal e foram visualizados linfonodos cólicos com aumento de volume e alteração no hemograma.

No mês atual, foi feita uma nova ultrassonografia para avaliar a evolução do tratamento quimioterápico e foi observada diminuição do volume dos linfonodos mas estes ainda visualizados.

 

 

 

Imagens do exame atual (exame anterior foi feito por outro colega):

_miles_fel_linfonodos_20161221143608_1446330 _miles_fel_linfonodos_20161221143608_1449160



Felina de 2 anos, apresentou aumento abdominal, no qual a proprietária pensou ser gestação. No momento do exame ultrassonográfico em janeiro de 2016, foi observado presença de líquido livre abdominal ecogênico e mesentério adjacente hiperecóico difuso, sugerindo processo inflamatório. Seu fígado se apresentava hipoecóico, sugerindo hepatite aguda. Foram realizados exames para descartar peritonite infecciosa felina, FIV e FELV e seus resultados foram todos negativos.

O animal foi medicado e feito um acompanhamento. A proprietária relata que o animal continuou a se alimentar normalmente.

Em abril de 2016, o animal voltou a apresentar aumento abdominal. No exame ultrassonográfico foi visualizado grande quantidade de líquido livre ecogênico, mesentério adjacente hiperecóico difuso, pregueamento de alças intestinais se agrupando no mesentério com aumento da peristalse e o fígado ainda com hepatite difusa. O clínico sugeriu uma laparotomia exploratória,pois os exames laboratoriais não foram conclusivos.

O animal veio a óbito duas semanas depois e foi realizada a necropsia, mostrando realmente a aderência nas alças e presença de líquido livre.

Referências:  Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Dominique Penninck & Marc- André d´Anjou; ed. Guanabara Koogan;2011.

Ultrassonografia Doppler em Pequenos Animais; Cibele Figueira Carvalho; ed. Roca; 2009.

Ultrassonografia em Pequenos Animais; Cibele Figueira Carvalho; ed. Roca; 2009.

Imagens ultrassonográficas:

imagem-1-fel_2_5a_pcb_ imagem-2-fel_2_5a_pcb_

 

 

 

 

 

 

imagem-3-fel_2_5a_pcb_

Imagens da necrópsia:

2016-05-04-photo-00000010 2016-05-04-photo-00000015

 

 


Por o site estar há um tempo sem posts novos. Resolvi publicar alguns casos da minha rotina que considero relevantes e peculiares. Vou publicando mais casos com o decorrer da semana.

Canina poodle de 13 anos com alterações neurológicas e síndrome vestibular; aumento da fosfatase alcalina e enzimas renais. Foi visualizado em topografia de rim direito, uma estrutura medindo 6,0cm (volume aumentado), apresentou pelve dilatada por conteúdo anecóico com estruturas hiperecóicas em suspensão (celularidade/cristais) e faixas hiperecóicas periféricas compatíveis com septo interventricular, sugerindo hidronefrose severa. Ureter direito dilatado até a região distal, medindo até 1,2cm de diâmetro (hidroureter).

_BELINHA_CAN_13A_POODLE_20160213111524_1124430 _BELINHA_CAN_13A_POODLE_20160213111524_1125340

 

Felino de dois anos, foi observada em região mesogástrica estrutura tubular de contornos irregulares, heterogênea com conteúdo hiperecóico fazendo reverberação (gás?) e com perda de arquitetura em segmento de cólon medindo cerca de 5,0cm. Nos demais segmentos de alça, as paredes estavam preservadas no momento do exame. Peristaltismo habitual (enteropatia). Mesentério adjacente hiperecóico difuso (reativo) com presença de ligeira quantidade de líquido livre abdominal ecogênico, sugerindo processo inflamatório (peritonite). Possivelmente um Linfoma intestinal… Animal não fez o teste de FIV/FELV. Ele veio a óbito horas depois…e não foi feita necrópsia.

_LUAN_FEL_2A_PCB_20151211094448_1001150 _LUAN_FEL_2A_PCB_20151211094448_1005590

 

Canino de 1,5 anos, com suspeita de leptospirose, no exame clínico foram observadas mucosas ictéricas, aumento abdominal, urina escura e prostração. No exame ultrassonográfico foi observada bexiga com intensa celularidade e coágulos, líquido livre abdominal, fígado com diminuição do tamanho e contornos irregulares(cirrose), e pancreatite.

_AMORA_CAN_1_5A_SRD_20150928133856_1342040 _AMORA_CAN_1_5A_SRD_20150928133856_1343170 _AMORA_CAN_1_5A_SRD_20150928133856_1344440 _AMORA_CAN_1_5A_SRD_20150928133856_1349150 _AMORA_CAN_1_5A_SRD_20150928133856_1350270 _AMORA_CAN_1_5A_SRD_20150928133856_1351280


Felino de 13 anos, apresentou dor abdominal, a proprietária relatou que o animal está sem comer e não sabe se ele está urinando. No exame clínico, na palpação abdominal sua bexiga estava com pouca repleção. Exames laboratoriais apresentaram uma anemia discreta e enzimas hepáticas e renais normais.
No exame ultrassonográfico apresentou aumento hepático com presença de infiltrado gorduroso, rins diminuídos de tamanho com corticais espessas e hiperecóicas, diminuição da cortico-medular e dilatação de pelve renal e ainda presença de um linfonodo mesentérico reativo.

 

_MICUIM_FEL_13A_SIAMES_0 _MICUIM_FEL_13A_SIAMES_irc _MICUIM_FEL_13A_SIAMES_linfonodo e irc _MICUIM_FEL_13A_SIAMES_linfonodo_MICUIM_FEL_13A_SIAMES_fig


Os processos inflamatórios hepáticos difusos podem revelar características ultrassonográficas variáveis. Os distúrbios hepáticos difusos podem ser difíceis de ser diferenciados de doenças multifocais maldefinidas. A ecogenicidade parenquimatosa pode estar aumentada, reduzida ou não afetada.

Em gatos a colangiohepatite está mais comumente associada a diminuição na ecogenicidade parenquimatosa e aumento da visibilidade da vasculatura portal. Em cães, a hepatite aguda também tende a causar hipoecogenicidade hepática difusa.

Por outro lado, a hepatite crônica tende a estar associada à fibrose, com a ecogenicidade aumentada. A presença de inflamação ativa crônica, edema, fibrose e necrose, bem como nódulos regenerativos (hiperplasia), tendo um fígado heterogêneo com ecogenicidade mista.

 

Fonte: Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Penninck & D`Anjou.

 

Diferença de parênquimas em dois animais; a primeira imagem de um fígado hiperecóico (ecogenicidade difusa) com intensa lama biliar em vesícula biliar, as duas imagens seguintes são de um fígado hipoecóico de um cão com suspeita de hemoparasitose e Fosfatase Alcalina fora dos limites padrões:

_LUNA_CAN_8A_POODLE _PANDA_CAN_10A_SRD_1 _PANDA_CAN_10A_SRD_2


Platinosomose é uma parasitose de felinos domésticos ou silvestres,causada por um trematódeo da espécie Platynosomum concinnum.Comumente ele habita os ductos biliares e vesícula biliar do gato,mas pode ser encontrado no duodeno ou outras porções proximais do intestino e ductos pancreáticos.Geralmente o quadro passa desapercebido,sem alterações clínicas,mas pode também ocasionar disfunções hepáticas graves,como colestase , colangiohepatite e cirrose.

O parasita é encontrado em áreas tropicais e subtropicais.O ciclo de vida é dependente de invertebrados como moluscos(caracóis) , insetos terrestres(besouros) e lagartixas ou sapos,que estes são os últimos hospedeiros antes dos felinos.O gato ao caçar e ingerir estes animais acabam adquirindo os parasitas que estão encistados no fígado destes hospedeiros,das formas encistadas surgem as metacercárias que migram para se desenvolver nos ductos biliares.

Os sinais clínicos serão proporcionais ao grau de infestação,geralmente há diarréia mucóide,inapetência,perda de peso, anorexia e vômitos.Se houver colestase poderá ser percebida à icterícia,hepatomegalia,anemia,ascite e aumento palpável da vesícula biliar.

No ultra-som pode ser observado espessamento da parede da vesícula biliar e presença de lama biliar, além de dilatação de ductos biliares,dilatação vesicular e hepatomegalia.
Fonte: http://medfelina.blogspot.com.br/2011/01/platinosomose.html

- Dois felinos com histórico de comer lagartixa, com dilatação das vias biliares e hepáticas, paredes ecogênicas:

_GASTAO_FEL_3A_AZUL_DA_RUSSIA_20150108153906_1551510 _GASTAO_FEL_3A_AZUL_DA_RUSSIA_20150108153906_1553030 _MIMI_FEL_PCB_5A_20150116103153_1039270 _MIMI_FEL_PCB_5A_20150116103153_1051050

Nas cadelas adultas, pode ocorrer inflamação vaginal. Sendo rara em gatas. A vaginite quase sempre se dá por uma infecção bacteriana, que pode ser secundária a anormalidades conformacionais. Uma infecção viral, corpo estranho vaginal, neoplasia, hiperplasia vaginal, esteróides androgênicos ou situações intersexuadas também podem causar vaginite (Merck, 2001).

O sinal clínico mais comum é secreção vulvar. Também pode se observar lambedura vulvar, atração de machos e micção frequente. O hemograma e bioquímico estarão normais, com isso, pode se diferenciar vaginite de piometra de cérvix aberta. Para diagnóstico diferencial a ultrassonografia é o exame mais indicado (Merck, 2001).

A involução uterina pós-parto ocorre em 9 a 12 semanas, havendo presença de lóquio (secreção hemorrágica) durante quatro a seis semanas, fisiológico durante esse período, já queestá ocorrendo a reconstrução do endométrio. Mas, em algumas das vezes estas secreções podem ser preocupantes, fazendo com que a ultrassonografia seja muito importante para uma involução uterina normal no pós-parto, identificando possíveis alterações como retenção de placenta, metrite, etc. Caracterizando pelo aumento da parede uterina e conteúdo em seu lúmen (Carvalho, 2004).

Acompanha-se normalmente até 24 dias após o parto, sendo que nos primeiros dias, suas paredes estarão espessas e irregularescom conteúdo luminal e restos de membranas fetais e maternas. Após 24 dias, suas paredes estarão finas e com conteúdos luminal mais homogêneo à medida que os líquidos forem expelidos. Quando a involução se completa, os cornos uterinos se apresentam tubulares, uniformes e hipoecogênicos (Carvalho, 2004).

Muitas vezes é difícil distinguir no exame ultrassonográfico, coágulos e restos de membranas de retenção de placenta (fisiológicos). Deve se considerar a diminuição ou não do tamanho uterino (Carvalho, 2004).

Imagem de uma cadela com conteúdo com celularidade em cérvix após o parto, em exame clínico, foi observada secreção mucopurulenta (provavelemente vaginite):

picer2 pilcervix piut

Imagem de uma felina do útero após abortamento, a diferenciação é bem discreta, pois em ambos os casos ainda haverá conteúdo com celularidade em útero, tendo que fazer um acompanhamento para evitar uma infecção secundária:

FRAJOLA_FEL_PCB7A_ALINE_20140203152150_1525500 FRAJOLA_FEL_PCB7A_ALINE_20140203152150_1532130

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


A cistite polipóide causa espessamento de parede pela presença de múltiplas e pequenas massas que se projetam para o lúmen. A avaliação citológica ou histológica se faz necessária na diferenciação de pólipos e neoplasia (Carvalho, 2004).

* para visualizar o vídeo do exame feito no animal a seguir, acesse https://www.facebook.com/veterinariapriscillapinel .

Imagem de um canino SRD com espessamento de parede e presença de forma vegetativa em parede:

VIDA_CAN_SRD_9A_SANDRO_20140603105916_1102030 VIDA_CAN_SRD_9A_SANDRO_20140603105916_1102500


Os cãe são os mais acometidos. A neoplasia maligna  mais comum é o carcinoma de células de transição, no qual se observa espessamento focal da parede como uma massa irregular que se estende para o lúmen. As benignas mais comuns são os papiloma e o hemangiomas (Carvalho, 2004).

Massas pequenas podem ser detectadas desde que a repleção vesical seja adequada. Em porção caudal é mais comum do que em porção cranial. A bexiga pode estar difusamente envolvida pela neoplasia, causando espessamento de parede, semelhante a cistite crônica (Carvalho, 2004).

Não é recomendada a aspiração por agulha fina, pois pode causar risco de semear células tumorais no trajeto da agulha. Linfonodos ilíacos e sublombares devem ser avaliados para pesquisa de metástase (Carvalho, 2004).

 

Imagens de um canino, em região intraluminal em contato com parede dorsal, foi observada imagem arredondada de contornos definidos e irregulares, heterogênea, medindo 3,6 cm x 2,2 cm:

bx2gr bx3gr bx4gr