A obstrução total ou obstrução parcial do tubo digestivo pode ter diferentes origens. Na maioria dos casos, no entanto causado pela presença de um corpo estranho. A ocorrência da obstrução do tubo digestivo seja no estômago, esôfago ou intestino pode acarretar graves conseqüências. O animal, na maioria dos casos, superará o problema, desde que se faça um diagnóstico precoce e sejam tomadas rapidamente as medidas necessárias. A prevenção é melhor forma de evitar este problema, evitando dar a cães ossos frágeis, deixá-los fora do alcance brinquedos que possa ficar mordendo, além de evitar que brinque com pedras, agulhas de costurar e qualquer outro objeto que represente perigo.

A ingestão de corpos estranhos que ficam retidos no esôfago ocorre mais comumente nos cães jovens devido aos seus hábitos alimentares indiscriminados, mas pode ocorrer em qualquer idade ou espécie de animal. (BOJRAB, 1996) Os corpos estranhos gástricos freqüentemente são observados nos cães, e incluem agulha, moedas, pedras, gravetos, caroço de pêssego, plástico, papel de alumínio, bolas e brinquedos pequenos, já nos gatos são mais comum encontrar barbantes e outros corpos estranhos lineares. (SHERDING et al., 1998). Os cães com corpos estranhos esofágicos podem ter uma larga diversidade de sinais clínicos que variam de grau de obstrução, a posição do corpo estranho e o traumatismo ocorrido no esôfago. (BOJRAB, 1996).

O diagnóstico é baseado através dos sinais clínicos que variam um pouco, dependendo da duração e a localização e do tipo da obstrução, pacientes com obstruções agudas geralmente apresentam salivação excessiva, engasgamento ou regurgitam logo após de comer, pacientes com uma obstrução de longa duração, algumas vezes, é observada a perda de peso.  No exame físico o corpo estranho às vezes poderá ser palpado se estiver alojado no esôfago cervical, em pacientes com pneumonia por aspiração, pode-se auscultar ruídos pulmonares anormais. A maioria dos corpos estranhos é identificada através de radiografias simples de boa qualidade, caso se suspeita de perfuração esofágica, são recomendados materiais de contraste iodados orgânicos e hidrossolúveis ou iohexol.

A ultrassonografia não é um exame recomendado caso o paciente esteja inconsciente ou em estado de estupor, sendo os procedimentos clínicos de lavagem estomacal realizados com urgência. Muitos casos de dilatação evoluem para a torção gástrica, com consequente deslocamento do baço e possível congestão dos vasos mesentéricos; caso se trate de volvulo, o processo de reposicionamento do estômago deve ser feito cirurgicamente.   As diferenças básicas entre a dilatação e a torção dificilmente serão notadas no ultrassom.

A maior parte dos corpos estranhos esofágicos pode ser removida com êxito por meios não cirúrgicos. É contra indicado forçar um objeto firmemente retido na parede esofágica, pois fazer isto pode causar perfuração ou aumento de tamanho de uma perfuração preexistente. A remoção de um corpo estranho por meio de endoscopia ou gastrotomia, deve-se reavaliar o esôfago quanto a evidências de perfuração.

 

Fonte: REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE MEDICINA VETERINÁRIA – ISSN: 1679-7353 ; Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária é uma publicação semestral da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia de Garça – FAMED/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400‐000 –Garça/SP – Tel.: (0**14) 3407‐8000 www.revista.inf.br www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VII – Número 12 – Janeiro de 2009 – Periódicos Semestral CORPOS ESTRANHOS NO TRATO GASTRINTESTINAL DE CÃES E GATOS. SOARES, Renato Duarte. ANDRADE, Gabriel Ninin Xavier de. Discente da faculdade de medicina veterinária-FAMED-GARÇA PEREIRA, Daniela Mello. Docente da faculdade de medicina veterinária-FAMED-GARÇA

 

- Imagem de Corpo Estranho em alças intestinais, com a parede irregular e conteúdo líquido no abdômen: