O primeiro caso clínico, foi uma cadela Poodle de 18 anos, com suspeita clínica de piometra fechada (infecção uterina). No exame clínico apresentou dor abdominal e convulsão.

No exame ultrassonográfico foi observado aumento do útero e paredes hiperecóicas e espessadas com moderado líquido livre abdominal e ainda apresentava uma massa heterogênea de contornos irregulares. Além de gastroenterite e doença renal crônica.

O animal veio a óbito durante o exame ultrassonográfico.

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O outro caso clínico, foi de uma cadela de 16anos SRD, que na bioquímica apresentou aumento das enzimas hepáticas, a urina com odor forte e concentrada.

No exame ultrassonográfico foi visualizado; em vesícula urinária intensa celularidade e cristais; rim direito com presença de dois cistos em córtex renal; Adrenais com grande aumento de volume, sendo a esquerda levemente heterogênea; o fígado apresentou  parênquima heterogêneo com presença de nódulos hipoecóicos e um cisto em lobo direito e vesícula biliar com intensa lama e cálculos com dilatação de ducto cístico.

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Os cistos renais podem ser congênitos ou adquiridos, solitários ou múltiplos, uni ou bilaterais. Possuem conteúdo anecogênico e formato arredondado com reforço acústico posterior.

A  doença renal policística geralmente acomete gatos da raça persa. Ocorre o deslocamento e distorção ou dilatação do sistema coletor, podendo ocorrer obstrução mecânica parcial. Para fechamento de diagnóstico deve se correlacionar com exames laboratoriais, histórico do animal e exame clínico, pois existem outras alterações como cistos complicados, hematomas,abcessos, necrose e tumores. Pode se realizar biópsia aspirativa. A ultrassonografia é um exame de diagnóstico que ajuda na avaliação do grau de acometimento dos rins.

Rins Císticos de um felino Persa:

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Algumas mudanças ultrassonográficas podem ser vistas como resultado da pancreatite aguda severa ou da crônica, tais como abcessos e pseudocistos. Ambos possuem aparência sonográfica semelhante, geralemente única, de aspecto cavitário, anecogênico ou hipoecogênico, com pouco ou nenhum eco interno, apresentando reforço acústico posterior , formato oval, paredes espessas e irregulares e de tamanhos variados. O parênquima pancreático se encontra hipoecogênico ao redor do pseudocisto e a gordura mesentérica adjacente ao pâncreas encontra-se hiperecogênica, podendo haver espessamento de parede em alças intestinais. Essas alterações não podem ser diferenciadas entre si somente pela ultrassonografia e são consideradas raras em cães e gatos.

Os abcessos são pouco comuns e desenvolvem-se como resultado de uma infecção do tecido pancreático necrosado.

Os pseudocistos pancreáticos são coleções fluidas que contêm enzimas pancreáticas e debris, que se acumulam em um saco de tecido fibroso não epitelial formado em decorrência de alterações inflamatórias entre serosas, peritônio e mesentério. Os pseudocistos podem estar associados as pancreatites aguda e crônica.

Imagem Ultrassonográfica do pâncreas de um felino:

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Fonte: Ultra-sonografia em Pequenos Animais; Carvalho C., Ed. Roca; Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Pennick D., Ed. Guanabara