Felina de 2 anos, apresentou aumento abdominal, no qual a proprietária pensou ser gestação. No momento do exame ultrassonográfico em janeiro de 2016, foi observado presença de líquido livre abdominal ecogênico e mesentério adjacente hiperecóico difuso, sugerindo processo inflamatório. Seu fígado se apresentava hipoecóico, sugerindo hepatite aguda. Foram realizados exames para descartar peritonite infecciosa felina, FIV e FELV e seus resultados foram todos negativos.

O animal foi medicado e feito um acompanhamento. A proprietária relata que o animal continuou a se alimentar normalmente.

Em abril de 2016, o animal voltou a apresentar aumento abdominal. No exame ultrassonográfico foi visualizado grande quantidade de líquido livre ecogênico, mesentério adjacente hiperecóico difuso, pregueamento de alças intestinais se agrupando no mesentério com aumento da peristalse e o fígado ainda com hepatite difusa. O clínico sugeriu uma laparotomia exploratória,pois os exames laboratoriais não foram conclusivos.

O animal veio a óbito duas semanas depois e foi realizada a necropsia, mostrando realmente a aderência nas alças e presença de líquido livre.

Referências:  Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Dominique Penninck & Marc- André d´Anjou; ed. Guanabara Koogan;2011.

Ultrassonografia Doppler em Pequenos Animais; Cibele Figueira Carvalho; ed. Roca; 2009.

Ultrassonografia em Pequenos Animais; Cibele Figueira Carvalho; ed. Roca; 2009.

Imagens ultrassonográficas:

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Imagens da necrópsia:

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Por o site estar há um tempo sem posts novos. Resolvi publicar alguns casos da minha rotina que considero relevantes e peculiares. Vou publicando mais casos com o decorrer da semana.

Canina poodle de 13 anos com alterações neurológicas e síndrome vestibular; aumento da fosfatase alcalina e enzimas renais. Foi visualizado em topografia de rim direito, uma estrutura medindo 6,0cm (volume aumentado), apresentou pelve dilatada por conteúdo anecóico com estruturas hiperecóicas em suspensão (celularidade/cristais) e faixas hiperecóicas periféricas compatíveis com septo interventricular, sugerindo hidronefrose severa. Ureter direito dilatado até a região distal, medindo até 1,2cm de diâmetro (hidroureter).

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Felino de dois anos, foi observada em região mesogástrica estrutura tubular de contornos irregulares, heterogênea com conteúdo hiperecóico fazendo reverberação (gás?) e com perda de arquitetura em segmento de cólon medindo cerca de 5,0cm. Nos demais segmentos de alça, as paredes estavam preservadas no momento do exame. Peristaltismo habitual (enteropatia). Mesentério adjacente hiperecóico difuso (reativo) com presença de ligeira quantidade de líquido livre abdominal ecogênico, sugerindo processo inflamatório (peritonite). Possivelmente um Linfoma intestinal… Animal não fez o teste de FIV/FELV. Ele veio a óbito horas depois…e não foi feita necrópsia.

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Canino de 1,5 anos, com suspeita de leptospirose, no exame clínico foram observadas mucosas ictéricas, aumento abdominal, urina escura e prostração. No exame ultrassonográfico foi observada bexiga com intensa celularidade e coágulos, líquido livre abdominal, fígado com diminuição do tamanho e contornos irregulares(cirrose), e pancreatite.

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A hiperplasia nodular benigna é comum, particularmente em cães, representando muitas das lesões hepáticas focais identificadas na ultrassonografia. As malignas podem ser vistas como massas focais e multifocais. Lesões cavitárias, ocasionalmente, cistos biliares e hepáticos, aparecem como focos bem circunscritos, anecóicos e devem ser diferenciadas de tumores císticos. Abcessos hepáticos são incomuns, tendem a aprecer como lesões hipoecóicas, arredondadas ou ovais, regulares ou irregulares, que são frequentemente cavitárias. Granulomas tendem a aparecer como lesões hiperecóicas, ocorrem por doenças fúngicas ou peritonite infecciosa felina. A hemorragia hepática é rara em cães e gatos, pode estar relacionada a hemangiossarcomas ou traumas. Os hematomas hepáticos também podem desenvolver após procedimentos guiados por ultrassonografia, como biópsia( Penninck, 2011).

Os tumores primários acometem mais animais idosos, podendo ser malignos ou benignos. Os linfomas são os tumores hemolinfáticos mais comuns encontrados no fígado, tanto em cães quanto em gatos.

As neoplasias mestastáticas hepáticas são mais comuns que as neoplasias primárias e podem surgir a partir de muitos orgãos, incluindo pâncreas, baço, trato gastrointestinal, glândulas adrenais, glândulas mamárias e pulmões. Uma neoplasia hepática também pode ter origem hemolinfática, abrangendo linfossarcomas e mastocitomas.

Os sinais clínicos podem ser inespecíficos ou específicos, como a poliúria e polidipsia, vômitos, perda de peso, icterícia, encefalopatia hepática e ascite. No exame físico pode se observar hepatomegalia ou massa abdominal e membranas mucosas pálidas (Merck, 2001).

Os achados radiográficos são variáveis e os ultrassonográficos podem confirmar o envolvimento de um único lobo hepático, alterações nodulares múltiplas ou uma doença difusa, embora não seja capaz de  definir o tipo celular da neoplasia,  a biópsia faz o diagnóstico definitivo (Merck, 2001).

Em caso de tumores hepáticos em muitos lobos o prognóstico é ruim, no caso de um lobo recomenda-se a remoção cirúrgica (Merck, 2001).

Felino com nódulo hiperecóico em lobo medial.

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Felino com presença de nódulos arredondados hipoecóicos em lobo hepático esquerdo e moderado líquido livre.

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Nódulo hepático arredondado hipoecóico, localizado em lobo esquerdo de um canino de 9 anos.

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A formação de abcessos pode anteceder ou mesmo acompanhar a fase inicial da peritonite. Na ultrassonografia eles irão se apresentar como bolsas com conteúdo líquido e celularidades, podendo ter em seu interior também trabéculas de fibrina que fazem linhas  hiperecóicas, além de focos gasosos. Sua parede será mal definida e hiperecóica. Em sua porção cavitária frequentemente apresenta-se hipoecóica, podendo ter reforço acústico posterior se a contagem celular não for alta.

Fonte: Altas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Dominique Penninck & Marc- André d’ Anjou; ed Guanabara Koogan.

Imagem de um canino de 14 anos com aumento abdominal com dor na palpação:

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Imagem retirada do livro Atlas de Ultrassonografia de pequenos animais (para visualizar mais imagens e vídeos acessem a página do Facebook – Priscilla Pinel Médica Veterinária)

 

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Distúrbios testiculares incluem criptorquidismo (testículo ectópico), neoplasia testicular, alterações inflamatórias (orquite e epididimite), cistos testiculares ou epididimais, torções, infartos,atrofias e traumatismos. Outros processos patológicos afetando o escroto incluem acúmulo de líquido hidrocele e hematocele) e hérnia escrotal.

Testículos criptorquídicos (ectópicos/ fora da bolsa escrotal), são, geralmente, pequenos e com diminuição da sua ecogenicidade, mas possuem arquitetura normal (mediastino hiperecóico). Eles podem ser encontrados em qualquer lugar entre o polo caudal dos rins até a região inguinal. Caso o mediastino não esteja desenvolvido, sua visualização será mais difícil. A ultrassonografia é geralmente o método mais eficaz para a visualização de testículos criptorquidas em cães.

Testículos localizados em região abdominal ou inguinal estão predispostos a se tornarem neoplasias (tumores), podendo atingir tamanhos consideráveis nestes casos.

Tumores testiculares em bolsa são comuns em cães mais velhos, podendo ocorrer bilateralmente. Estes são geralmente benignos. Alguns tipos de tumores podem afetar testículos criptorquidas e descidos em bolsa, estes já podem ser potenciais para produção hormonal e metástases (seminomas ou de células de Sertoli). Os tumores de testículos ectópicos costumam ser mais malignos e atingir mais animais jovens.

 Testículos ectópicos em um canino Fox Paulistinha de 9 meses:

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Testículo esquerdo ectópico de um canino Australian Red de  10 meses:

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Fonte: Altas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; ed. Guanabara; Dominique Penninck & Marc- André d’ Anjou.

 

 

 


Saiba porque castrar seu cão pode ser a melhor forma de evitar algumas alterações em próstata:

O adenocarcinoma constitui a neoplasia (tumor) prostática mais comum. O carcinoma de célulastransicionais que surge a partir da bexiga também invade ocasionalmente a próstata. Nos cães a castração protege contra o desenvolvimento futuro de neoplasia prostática.

Achados ultrassonográficos em neoplasia prostáticas são variáveis. A próstata fica tipicamente aumentada e irregular, com ecotextura hipoecóica a heterogênea, com mineralização prostática. Outros achados de neoplasia prostática são obstruções uretrais, espessamento da parede da bexiga.

 

Fonte: Manual Merck de Veterinária; oitava edição; ed. ROCA; imagens retiradas do Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Dominique Penninck e Marc-André D’ Anjou; ed. Guanabara.

 

- Imagens de tumores de próstata (seguindo a ordem: adenocarcinoma,hemangiossarcoma e carcinoma de células transicionais)

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Foi realizado exame de ultrassonografia em um felino de 15 anos, com diagnóstico de  possível pancreatite ou duodenite de acordo com seu último exame de ultrassonografia.

No exame clínico, o animal apresentou aumento abdominal, dor e prostração, antes de realizar exames laboratoriais para avaliar as funções.

Durante o exame de ultrassonografia, observou-se um aumento de volume próximo a duodeno e pâncreas, mas não foi possível fechar o diagnóstico.

O animal foi submetido a uma cirurgia para que se investigasse esse possível achado na ultrassonografia. Durante a laparotomia exploratória, foi descoberto que o aumento de volume era uma massa localizada no mesentério, que estava aderida ao duodeno, causando necrose e aumento deste. Foi realizada a retirada deste seguimento e do mesentério.

As primeiras 48 horas foram cruciais para o reestabelecimento do animal, mas este, por ser um felino e de idade avançada, não resistiu e veio a óbito.

- Imagem da região mesogástrica mostrando uma formação próxima a duodeno:

- Cirurgia de laparotomia para retirada da massa:


O sangramento e secreção que algumas cadelas apresentam logo após o cio, podem estar relacionados ao uso de anticoncepcionais (progesterona de longa duração para retardar o estro), infecção por inseminação ou pós-cópula,  podendo no futuro causar infecção de ovário e útero (pioemetra).

A piometra é um distúrbio diestral hormonalmente mediado, caracterizado pelo endométrio anormal com infecção bacteriana secundária.

Os sinais clínicos são vistos logo após o estro (4 a 8 semanas) ou administração de anticoncepcionais, e incluem letargia, anorexia, poliúria, podipsia e vômito. Quando a cérvix está aberta, encontra-se uma secreção purulenta e frequentemente com sangue. Quando está fechada, não ocorre secreção alguma e o útero fica com grande aumento de tamanho e aparece uma distensão abdominal. Os sinais podem progredir rapidamente para choque séptico e morte.

Nos exames laboratorias a leucometria do animal pode parecer normal, mas, na maioria das vezes, aumentada. A ultrassonografia abdominal é o método mais utilizado para o diagnóstico final, visualizando um grande aumento dos cornos uterinos e quantidade significativa de celularidade dentro destes.

O tratamento mais eficaz é a retirada do útero e ovários por cirurgia (OSH- ovário salpingo histerectomia).

- Cornos uterinos com aumento no volume e conteúdo com celularidade:

- Após retirada cirúrgica de útero e ovários:


Foi realizado exame de ultrassonografia em um canino de aproximadamente 6 anos que foi encontrado, após ter sido atropelado por um ônibus. No exame clínico, o animal apresentou muita dor abdominal e nas articulações, e urina com sangue, antes dos exames laboratoriais que investigaria o resto das funções.

Durante o exame de ultrassonografia, realizado imediatamente após sua chegada, observou-se que havia líquido livre na cavidade, mas em pouca quantidade e bexiga apresentava bastante celularidade, porém sem estar rompida. Em um segundo exame realizado horas depois, observou um aumento na quantidade de líquido livre, e o baço não apresentava continuidade, com presença de coágulos ao seu redor. A quantidade de celularidade da bexiga havia diminuído e o animal ainda apresentava dor nas articulações.

Posteriormente, o animal foi submetido a procedimento cirúrgico (laparotomia exploratória), em que se observou uma grande quantidade de coágulos, indicando que o próprio animal estava tentando se recuperar, e o baço rompido. O baço foi retirado e o animal ficou internado para recuperação. O animal passa bem até o presente momento.

-Líquido livre próximo ao baço com coágulos:

 - Descontinuidade do baço na imagem ultrassonográfica:

- Baço rompido retirado após cirurgia: