São animais da Família Bradypodidae e da Ordem Edentata (a mesma dos tatus e tamanduás). Esses animais são parentes das preguiças gigantes ou terrestres da Família Megatheriidae que existiram há centenas ou milhares de anos, inclusive na Bahia, onde já foram encontrados seus fósseis. As preguiças atuais ocorrem apenas nas matas do continente americano e estão divididas em cinco espécies diferentes, que podem ter dois ou três dedos nas patas anteriores. No Brasil, existem as de três dedos: Preguiça-comum (Bradypus variegatus) que se encontra desde Honduras ao Norte da Argentina e em todas as  florestas do Brasil, Preguiça de Bentinho (Bradypus tridactylus) se encontra na Venezuela, Bolívia, Rio Orinoco, Guianas adjacentes ao Norte do Brasil, Amazonas, Rio Negro, Rio Amazonas  e Preguiça de Coleira (Bradypus torquatus)  vive somente nos remanescentes florestais do trecho da Mata Atlântica que vai do Rio de Janeiro ao Sul da Bahia e é a espécie mais ameaçada de extinção.

 

CARACTERÍSTICAS

As preguiças são animais de porte médio (cerca de 3. 5 a 6 kg quando adultas), de coloração geral cinza, tracejada  de branco ou marrom ferrugem, podendo ter manchas claras ou negras. Preferem viver em árvores altas, com copa volumosa e densa e muitos cipós, onde se penduram usando as garras que, embora possam parecer assustadoras, praticamente não servem para nenhuma defesa, devido à lentidão dos seus movimentos. Graças a essa extrema lentidão, a sua coloração e ao fato de permanecerem na copa de árvores muito altas, é muito difícil enxergar as preguiças na mata. Mesmo assim, elas têm predadores naturais, como a harpia, as onças e algumas serpentes.

 

AMEAÇAS DE EXTINÇÃO

Atualmente, o principal predador desses animais é mesmo o homem, que as comercializa inescrupulosamente em feiras livres e nas margens de rodovias. A ação do homem sobre esses animais tem sido muito facilitada, nos últimos tempos, pela acelerada fragmentação e destruição das matas, o que leva as preguiças a se locomoverem desajeitadamente pela superfície do solo, de uma ilha de mata para outra, em busca de sobrevivência, ficando totalmente expostas à caça e à captura.

 

CUIDADO MATERNO

As fêmeas dos bichos-preguiça carregam o filhote nas costas e ventre durante aproximadamente os nove primeiros meses de vida. Durante esse período, a mãe protege o filhote, enquanto ele se prepara para sobreviver sozinho no ambiente da mata. Geralmente a ação predadora do homem quando mata a mãe, o filhote não sobrevive.

 

ALIMENTAÇÃO

A seletividade alimentar das preguiças é notadamente alta. Na natureza, alimentam-se de folhas novas de um número restrito de árvores, dentre as quais se conhece a embaúba, a ingazeira, a figueira, a tararanga…  É provável que elas precisem ingerir folhas de mais de uma espécie de árvore para satisfazerem plenamente as suas necessidades nutricionais. Por isso, a sobrevivência das preguiças só é possível em áreas relativamente grandes de mata ou capoeira desenvolvida, para que ela possa encontrar alimento necessário e de boa qualidade. Pelo que se conhece, cada preguiça explora uma área territorial definida, podendo ou não mudar-se para outra depois de algum tempo. Nesse território existe sempre uma árvore preferida, que ela mais frequenta.

OS BICHOS-PREGUIÇA COLECIONAM PARTICULARIDADES  ANATÔMICAS, FISIOLÓGICAS E COMPORTAMENTAIS

  • A sua temperatura corporal é sempre muito próxima da do ambiente, sendo por isso, considerados animais homeotérmicos imperfeitos;
  • O estômago dos bichos-preguiça é um tanto semelhante ao dos animais ruminantes, pois é dividido em quatro compartimentos e contém uma rica flora bacteriana,  que permite a digestão  inclusive de folhas com alto teor de compostos naturais tóxicos;
  • A sua pelagem difere da de todos os outros animais; os seus pelos apresentam ranhuras, propiciando a fixação de algas verdes e cianofíceas, que conferem à pelagem uma coloração esverdeada, que ajuda o animal  a camuflar-se entre as folhas das árvores;
  • As algas que se desenvolvem na sua pelagem servem de alimento para as lagartas de determinadas espécies de mariposa, que vivem associadas aos bichos-preguiça;
  • Várias espécies de besouro e ácaro se alimentam das fezes das preguiças e usam esses animais principalmente como transporte (forésia);
  • Nunca bebem água; a água que necessitam para viver é absorvida do próprio alimento, através das paredes intestinais, durante o processo de digestão;
  • Urinam e defecam apenas a cada 7 ou 8 dias, sempre no chão, próximo à base da sua árvore em que costumam se alimentar. Com isso, há uma reciclagem dos nutrientes contidos nas folhas ingeridas pelo animal, que são parcialmente devolvidos à árvore através dos seus dejetos;
  • Possuem membros compridos, corpo curto, cauda curta e grossa, adaptados para o seu modo de vida (sempre pendurados em galhos da copa de árvores altas);
  • Possuem 8 a 9 vértebras cervicais, o que lhes possibilita girar a cabeça 270 graus sem mover o corpo;
    • Seus movimentos são sempre muito lentos e costumam  dormir  cerca de 14 horas por dia; por isso ganharam o nome de BICHO-PREGUIÇA.

Fonte: www.apromac.org.br/preguicinha.htm

- Bicho-preguiça:

- Bicho-preguiça realizando exame ultrassonográfico: