Alterações de tamanho, formato, contorno, ecogenicidade e ecotextura, são indícios de algum processo inflamatório (linfadenopatia), que tem se diferenciar de alteração maligna de benigna.

Alterações internas dos linfonodos tendem a serem mais afetadas por neoplasias. Linfonodos inflamatórios geralmente são mal definidos e hilo hiperecóico; os malignos não inflamados possuem um contorno mais acentuado podendo haver reforço acústico e hipoecóicos.

Segue-se a baixo dois casos distintos de cães com aumento de linfonodos regionais, com alteração em parênquimas hepáticos (grosseiro) e esplênicos (aspecto rentilhado):

Bibliografia: Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais;ed. Guanabara Koogan; Pennick Dominique. & D`Anjou Marc-André.

Canino da raça Dálmata de 3 anos, com aumento de linfonodos regionais abdominais (esplênico, mesentéricos, hepático, renais, intestinais)…e subcutâneos (submandibular, poplíteo, axilar, inguinal):

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Canino da raça Labrador de 8 anos com aumento de linfonodos similares ao do animal a cima:

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Cadela de 3 anos cruzou a 35 dias, apresentando secreção sanguinolenta.

No exame ultrassonográfico foram visualizadas pelo menos seis vesículas gestacionais, com a presença de fetos sem batimento com espessamento da parede da vesícula, e tendo pelo menos um feto bem formado com definição de tórax a abdomen, e os outros com formação óssea e pouca definição de tórax e abdomen.

Ainda foi visto o baço bem aumentado e fígado hipoecóico da cadela. Sugerindo uma possível hemoparasitose e morte fetal em várias fases gestacionais.

Em alguns casos hemoparasitoses (doença do carrapato), acabam baixando muito o sistema imune, e com isso a gestação é interrompida, ou pode haver má formação fetal. O fígado hipoecóico também justificaria uma hepatopatia aguda (toxemia).

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Canino com possível choque séptico. Nota-se o fígado bem hipoecóico,  rins com aumento de volume e corticais espessas (IRA) e esplenomegalia. No exame laboratorial, apresentou aumento de úreia, creatinina, ALT, AST e fofastase.
O clínico relatou que o animal foi mordido durante uma briga com outro cão, onde no local da mordida, após dois dias já estava com miíase e o animal não se levantava, estava com olhar fixo e membros rígidos…

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Foi realizado exame de ultrassonografia em um canino de aproximadamente 6 anos que foi encontrado, após ter sido atropelado por um ônibus. No exame clínico, o animal apresentou muita dor abdominal e nas articulações, e urina com sangue, antes dos exames laboratoriais que investigaria o resto das funções.

Durante o exame de ultrassonografia, realizado imediatamente após sua chegada, observou-se que havia líquido livre na cavidade, mas em pouca quantidade e bexiga apresentava bastante celularidade, porém sem estar rompida. Em um segundo exame realizado horas depois, observou um aumento na quantidade de líquido livre, e o baço não apresentava continuidade, com presença de coágulos ao seu redor. A quantidade de celularidade da bexiga havia diminuído e o animal ainda apresentava dor nas articulações.

Posteriormente, o animal foi submetido a procedimento cirúrgico (laparotomia exploratória), em que se observou uma grande quantidade de coágulos, indicando que o próprio animal estava tentando se recuperar, e o baço rompido. O baço foi retirado e o animal ficou internado para recuperação. O animal passa bem até o presente momento.

-Líquido livre próximo ao baço com coágulos:

 - Descontinuidade do baço na imagem ultrassonográfica:

- Baço rompido retirado após cirurgia:


O “Abdômen Agudo” é considerado um diagnóstico de emergência na clínica veterinária. Clinicamente, sua origem é classificada como hepatobiliar, gastrintestinal, urogenital, pancreática, esplênica e da cavidade peritoneal / mesentério . Em cães as causas mais comuns de Abdômen Agudo são a pancreatite, massas esplênicas, torção gástrica, obstruções intestinais, gastroenterites, abscessos prostáticos e uropatias .

Na medicina de pequenos animais, o Abdômen Agudo é caracterizado pelo estabelecimento súbito de sinais severos de dor e/ou distensão abdominal, vômito, diarréia, anorexia,  prostração ou choque. Embora os sinais clínicos sejam de evolução aguda, o Abdômen Agudo não é sinônimo de afecção aguda, uma vez que ele pode ser a manifestação súbita de uma doença crônica. Nos cães, a dor abdominal pode nem sempre ser detectada, e sua ausência não deve excluir a hipótese de Abdômen Agudo, uma vez que ela pode ser intermitente ou ainda, animais severamente debilitados e prostrados podem não manifestar dor ou responder a estímulos dolorosos.

A palpação abdominal é a parte mais importante da avaliação clínica do paciente com Abdômen Agudo. As avaliações hematológicas e bioquímicas têm contribuição limitada para o diagnóstico etiológico do Abdômen Agudo, seu mais importante papel está na detecção de alterações metabólicas e eletrolíticas.

Em pequenos animais, as modalidades de imagem mais utilizadas para a investigação de enfermidades abdominais são o exame radiográfico simples, exames radiográficos contrastados e a ultrassonografia. A avaliação radiográfica objetiva a detecção ou a exclusão de alterações significativas como presença de fluido abdominal ou retroperitoneal, íleo, gás livre na cavidade, cálculo em vias urinárias e alguns tipos de corpos estranhos. O diagnóstico radiológico é limitado pela presença de fluido abdominal livre e pôr não permitir a avaliação da arquitetura interna dos órgãos. Ainda tem como desvantagem a necessidade de uso de meios de contraste em muitos casos, além do transporte do paciente para a sala de exame.

Outros autores ressaltam que, embora os exames contrastados possam ser de grande utilidade, em situações de emergência a realização dos mesmos pode ser inviável devido as condições do paciente e ao longo tempo de execução de algumas técnicas, como o trânsito gastrintestinal.

Quanto a contribuição diagnóstica, autores demonstraram que a ultrassonografia formal (USG) é um método eficiente de diagnóstico etiológico do Abdômen Agudo de cães, realizada em diferentes momentos do curso clínico e em diferentes etapas diagnósticas.

Alguns casos de Abdomên Agudo:

- Alças Intestinais pregueadas com Líquido Livre na cavidade (possível corpo estranho)

- Líquido Livre com conteúdo de hemácias no abdômen (hemoabdômen)

- Neoplasia de Baço

-Colangiohepatite Crônica

Fonte: Curso de pós-graduação da ANCLIVEPA- SP (US de emergência 2009).


O baço tem a função de fazer hematopoese, a filtração e reserva sanguínea, a remoção e o remodelamento de eritrócitos e outras ações imunológicas.

Um aumento do baço (esplenomegalia) pode ocorrer de duas formas:  O aumento difuso, geralmente associado a algum fator de inflamação, com consequente proliferação de células normais e anormais, e o aumento localizado, que forma uma massa (neoplasia ou hiperplasia nodular).

Os sinais clínicos são:

  • Perda de peso
  • Anorexia
  • Dor abdominal
  • Distensão abdominal
  • Urina muito
  • Bebe muita água
  • Vômito
  • Diarréia

O diagnóstico de alguma lesão ou inflamação no baço se dá com o auxilio de uma série de exames, como:

  • Hemograma
  • EAS
  • Bioquímica
  • Radiografia
  • Ultrassonografia

As causas de um aumento no baço podem ser:

  • Neoplasia
  • Torção esplênica
  • Ruptura esplênica
  • Infecção por hemoparasitos (erlichia e babesia)
  • Enfermidades em outros órgãos (hepatites, nefropatias, piometra etc)
  • Em gatos, as lesões podem ocorrer  por infecções virais, intoxicação alimentar e hipertireoidismo.

Apesar de o baço ser um órgão importante para o funcionamento do organismo, por manter o sistema imune saudável, sua retirada, em caso de ruptura, tumor ou torção, não acarreta alterações no organismo.

 

Esplenomegalia:

Leptospirose em baço:

Neoplasia em baço: