Canino SRD de 2 anos apresentou alterações de enzimas renais (creatinina 8), então o clínico solicitou uma ultrassonografia abdominal, na qual, foram visualizadas alterações no parênquima renal, além de líquido livre em região sub-capsular renal (presença do halo ao redor do rim com falência aguda) , dilatação de ureteres proximais, além de outras alterações como: espessamento da parede gástrica e entérica; aumento do volume esplênico e hepático; cristalúria em vesícula urinária e dilatação de uretra; turbilhonamento em veia cava caudal.

 

Imagens renais:

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Alterações em outros órgãos:

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Felina de 17 anos há cinco meses foi diagnosticada com linfoma intestinal, em que foi realizada ultrassonografia abdominal e foram visualizados linfonodos cólicos com aumento de volume e alteração no hemograma.

No mês atual, foi feita uma nova ultrassonografia para avaliar a evolução do tratamento quimioterápico e foi observada diminuição do volume dos linfonodos mas estes ainda visualizados.

 

 

 

Imagens do exame atual (exame anterior foi feito por outro colega):

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Alterações de tamanho, formato, contorno, ecogenicidade e ecotextura, são indícios de algum processo inflamatório (linfadenopatia), que tem se diferenciar de alteração maligna de benigna.

Alterações internas dos linfonodos tendem a serem mais afetadas por neoplasias. Linfonodos inflamatórios geralmente são mal definidos e hilo hiperecóico; os malignos não inflamados possuem um contorno mais acentuado podendo haver reforço acústico e hipoecóicos.

Segue-se a baixo dois casos distintos de cães com aumento de linfonodos regionais, com alteração em parênquimas hepáticos (grosseiro) e esplênicos (aspecto rentilhado):

Bibliografia: Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais;ed. Guanabara Koogan; Pennick Dominique. & D`Anjou Marc-André.

Canino da raça Dálmata de 3 anos, com aumento de linfonodos regionais abdominais (esplênico, mesentéricos, hepático, renais, intestinais)…e subcutâneos (submandibular, poplíteo, axilar, inguinal):

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Canino da raça Labrador de 8 anos com aumento de linfonodos similares ao do animal a cima:

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Felina de 2 anos, apresentou aumento abdominal, no qual a proprietária pensou ser gestação. No momento do exame ultrassonográfico em janeiro de 2016, foi observado presença de líquido livre abdominal ecogênico e mesentério adjacente hiperecóico difuso, sugerindo processo inflamatório. Seu fígado se apresentava hipoecóico, sugerindo hepatite aguda. Foram realizados exames para descartar peritonite infecciosa felina, FIV e FELV e seus resultados foram todos negativos.

O animal foi medicado e feito um acompanhamento. A proprietária relata que o animal continuou a se alimentar normalmente.

Em abril de 2016, o animal voltou a apresentar aumento abdominal. No exame ultrassonográfico foi visualizado grande quantidade de líquido livre ecogênico, mesentério adjacente hiperecóico difuso, pregueamento de alças intestinais se agrupando no mesentério com aumento da peristalse e o fígado ainda com hepatite difusa. O clínico sugeriu uma laparotomia exploratória,pois os exames laboratoriais não foram conclusivos.

O animal veio a óbito duas semanas depois e foi realizada a necropsia, mostrando realmente a aderência nas alças e presença de líquido livre.

Referências:  Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Dominique Penninck & Marc- André d´Anjou; ed. Guanabara Koogan;2011.

Ultrassonografia Doppler em Pequenos Animais; Cibele Figueira Carvalho; ed. Roca; 2009.

Ultrassonografia em Pequenos Animais; Cibele Figueira Carvalho; ed. Roca; 2009.

Imagens ultrassonográficas:

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Imagens da necrópsia:

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Cadela de 3 anos cruzou a 35 dias, apresentando secreção sanguinolenta.

No exame ultrassonográfico foram visualizadas pelo menos seis vesículas gestacionais, com a presença de fetos sem batimento com espessamento da parede da vesícula, e tendo pelo menos um feto bem formado com definição de tórax a abdomen, e os outros com formação óssea e pouca definição de tórax e abdomen.

Ainda foi visto o baço bem aumentado e fígado hipoecóico da cadela. Sugerindo uma possível hemoparasitose e morte fetal em várias fases gestacionais.

Em alguns casos hemoparasitoses (doença do carrapato), acabam baixando muito o sistema imune, e com isso a gestação é interrompida, ou pode haver má formação fetal. O fígado hipoecóico também justificaria uma hepatopatia aguda (toxemia).

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Canino Golden Retrivier de 10 anos, no exame clínico apresentou severa  distensão da vesícula urinária.

No exame ultrassonográfico foi observada vesícula urinária  severamente distendido com grande quantidade de celularidade,cristais e coágulos. Rins com dilatação em pelve, sendo no rim esquerdo com dilatação de ureter até porção distal (hidroureter e hidronefrose discreta). Uretra prostática e penina com dilatação podendo considerar uma uretrite ou processo obstrutivo.

Ainda foi visualizado linfonodo mesentérico reativo sinalizando possível processo inflamatório ou neoplásico.

Foi recomendado associar com outros exames complementares para fechar o diagnóstico (urografia excretora/ radiografia).

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O primeiro caso clínico, foi uma cadela Poodle de 18 anos, com suspeita clínica de piometra fechada (infecção uterina). No exame clínico apresentou dor abdominal e convulsão.

No exame ultrassonográfico foi observado aumento do útero e paredes hiperecóicas e espessadas com moderado líquido livre abdominal e ainda apresentava uma massa heterogênea de contornos irregulares. Além de gastroenterite e doença renal crônica.

O animal veio a óbito durante o exame ultrassonográfico.

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O outro caso clínico, foi de uma cadela de 16anos SRD, que na bioquímica apresentou aumento das enzimas hepáticas, a urina com odor forte e concentrada.

No exame ultrassonográfico foi visualizado; em vesícula urinária intensa celularidade e cristais; rim direito com presença de dois cistos em córtex renal; Adrenais com grande aumento de volume, sendo a esquerda levemente heterogênea; o fígado apresentou  parênquima heterogêneo com presença de nódulos hipoecóicos e um cisto em lobo direito e vesícula biliar com intensa lama e cálculos com dilatação de ducto cístico.

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Por o site estar há um tempo sem posts novos. Resolvi publicar alguns casos da minha rotina que considero relevantes e peculiares. Vou publicando mais casos com o decorrer da semana.

Canina poodle de 13 anos com alterações neurológicas e síndrome vestibular; aumento da fosfatase alcalina e enzimas renais. Foi visualizado em topografia de rim direito, uma estrutura medindo 6,0cm (volume aumentado), apresentou pelve dilatada por conteúdo anecóico com estruturas hiperecóicas em suspensão (celularidade/cristais) e faixas hiperecóicas periféricas compatíveis com septo interventricular, sugerindo hidronefrose severa. Ureter direito dilatado até a região distal, medindo até 1,2cm de diâmetro (hidroureter).

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Felino de dois anos, foi observada em região mesogástrica estrutura tubular de contornos irregulares, heterogênea com conteúdo hiperecóico fazendo reverberação (gás?) e com perda de arquitetura em segmento de cólon medindo cerca de 5,0cm. Nos demais segmentos de alça, as paredes estavam preservadas no momento do exame. Peristaltismo habitual (enteropatia). Mesentério adjacente hiperecóico difuso (reativo) com presença de ligeira quantidade de líquido livre abdominal ecogênico, sugerindo processo inflamatório (peritonite). Possivelmente um Linfoma intestinal… Animal não fez o teste de FIV/FELV. Ele veio a óbito horas depois…e não foi feita necrópsia.

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Canino de 1,5 anos, com suspeita de leptospirose, no exame clínico foram observadas mucosas ictéricas, aumento abdominal, urina escura e prostração. No exame ultrassonográfico foi observada bexiga com intensa celularidade e coágulos, líquido livre abdominal, fígado com diminuição do tamanho e contornos irregulares(cirrose), e pancreatite.

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Felino de 13 anos, apresentou dor abdominal, a proprietária relatou que o animal está sem comer e não sabe se ele está urinando. No exame clínico, na palpação abdominal sua bexiga estava com pouca repleção. Exames laboratoriais apresentaram uma anemia discreta e enzimas hepáticas e renais normais.
No exame ultrassonográfico apresentou aumento hepático com presença de infiltrado gorduroso, rins diminuídos de tamanho com corticais espessas e hiperecóicas, diminuição da cortico-medular e dilatação de pelve renal e ainda presença de um linfonodo mesentérico reativo.

 

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Os processos inflamatórios hepáticos difusos podem revelar características ultrassonográficas variáveis. Os distúrbios hepáticos difusos podem ser difíceis de ser diferenciados de doenças multifocais maldefinidas. A ecogenicidade parenquimatosa pode estar aumentada, reduzida ou não afetada.

Em gatos a colangiohepatite está mais comumente associada a diminuição na ecogenicidade parenquimatosa e aumento da visibilidade da vasculatura portal. Em cães, a hepatite aguda também tende a causar hipoecogenicidade hepática difusa.

Por outro lado, a hepatite crônica tende a estar associada à fibrose, com a ecogenicidade aumentada. A presença de inflamação ativa crônica, edema, fibrose e necrose, bem como nódulos regenerativos (hiperplasia), tendo um fígado heterogêneo com ecogenicidade mista.

 

Fonte: Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Penninck & D`Anjou.

 

Diferença de parênquimas em dois animais; a primeira imagem de um fígado hiperecóico (ecogenicidade difusa) com intensa lama biliar em vesícula biliar, as duas imagens seguintes são de um fígado hipoecóico de um cão com suspeita de hemoparasitose e Fosfatase Alcalina fora dos limites padrões:

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Platinosomose é uma parasitose de felinos domésticos ou silvestres,causada por um trematódeo da espécie Platynosomum concinnum.Comumente ele habita os ductos biliares e vesícula biliar do gato,mas pode ser encontrado no duodeno ou outras porções proximais do intestino e ductos pancreáticos.Geralmente o quadro passa desapercebido,sem alterações clínicas,mas pode também ocasionar disfunções hepáticas graves,como colestase , colangiohepatite e cirrose.

O parasita é encontrado em áreas tropicais e subtropicais.O ciclo de vida é dependente de invertebrados como moluscos(caracóis) , insetos terrestres(besouros) e lagartixas ou sapos,que estes são os últimos hospedeiros antes dos felinos.O gato ao caçar e ingerir estes animais acabam adquirindo os parasitas que estão encistados no fígado destes hospedeiros,das formas encistadas surgem as metacercárias que migram para se desenvolver nos ductos biliares.

Os sinais clínicos serão proporcionais ao grau de infestação,geralmente há diarréia mucóide,inapetência,perda de peso, anorexia e vômitos.Se houver colestase poderá ser percebida à icterícia,hepatomegalia,anemia,ascite e aumento palpável da vesícula biliar.

No ultra-som pode ser observado espessamento da parede da vesícula biliar e presença de lama biliar, além de dilatação de ductos biliares,dilatação vesicular e hepatomegalia.
Fonte: http://medfelina.blogspot.com.br/2011/01/platinosomose.html

- Dois felinos com histórico de comer lagartixa, com dilatação das vias biliares e hepáticas, paredes ecogênicas:

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Nas cadelas adultas, pode ocorrer inflamação vaginal. Sendo rara em gatas. A vaginite quase sempre se dá por uma infecção bacteriana, que pode ser secundária a anormalidades conformacionais. Uma infecção viral, corpo estranho vaginal, neoplasia, hiperplasia vaginal, esteróides androgênicos ou situações intersexuadas também podem causar vaginite (Merck, 2001).

O sinal clínico mais comum é secreção vulvar. Também pode se observar lambedura vulvar, atração de machos e micção frequente. O hemograma e bioquímico estarão normais, com isso, pode se diferenciar vaginite de piometra de cérvix aberta. Para diagnóstico diferencial a ultrassonografia é o exame mais indicado (Merck, 2001).

A involução uterina pós-parto ocorre em 9 a 12 semanas, havendo presença de lóquio (secreção hemorrágica) durante quatro a seis semanas, fisiológico durante esse período, já queestá ocorrendo a reconstrução do endométrio. Mas, em algumas das vezes estas secreções podem ser preocupantes, fazendo com que a ultrassonografia seja muito importante para uma involução uterina normal no pós-parto, identificando possíveis alterações como retenção de placenta, metrite, etc. Caracterizando pelo aumento da parede uterina e conteúdo em seu lúmen (Carvalho, 2004).

Acompanha-se normalmente até 24 dias após o parto, sendo que nos primeiros dias, suas paredes estarão espessas e irregularescom conteúdo luminal e restos de membranas fetais e maternas. Após 24 dias, suas paredes estarão finas e com conteúdos luminal mais homogêneo à medida que os líquidos forem expelidos. Quando a involução se completa, os cornos uterinos se apresentam tubulares, uniformes e hipoecogênicos (Carvalho, 2004).

Muitas vezes é difícil distinguir no exame ultrassonográfico, coágulos e restos de membranas de retenção de placenta (fisiológicos). Deve se considerar a diminuição ou não do tamanho uterino (Carvalho, 2004).

Imagem de uma cadela com conteúdo com celularidade em cérvix após o parto, em exame clínico, foi observada secreção mucopurulenta (provavelemente vaginite):

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Imagem de uma felina do útero após abortamento, a diferenciação é bem discreta, pois em ambos os casos ainda haverá conteúdo com celularidade em útero, tendo que fazer um acompanhamento para evitar uma infecção secundária:

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A cistite polipóide causa espessamento de parede pela presença de múltiplas e pequenas massas que se projetam para o lúmen. A avaliação citológica ou histológica se faz necessária na diferenciação de pólipos e neoplasia (Carvalho, 2004).

* para visualizar o vídeo do exame feito no animal a seguir, acesse https://www.facebook.com/veterinariapriscillapinel .

Imagem de um canino SRD com espessamento de parede e presença de forma vegetativa em parede:

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Os cãe são os mais acometidos. A neoplasia maligna  mais comum é o carcinoma de células de transição, no qual se observa espessamento focal da parede como uma massa irregular que se estende para o lúmen. As benignas mais comuns são os papiloma e o hemangiomas (Carvalho, 2004).

Massas pequenas podem ser detectadas desde que a repleção vesical seja adequada. Em porção caudal é mais comum do que em porção cranial. A bexiga pode estar difusamente envolvida pela neoplasia, causando espessamento de parede, semelhante a cistite crônica (Carvalho, 2004).

Não é recomendada a aspiração por agulha fina, pois pode causar risco de semear células tumorais no trajeto da agulha. Linfonodos ilíacos e sublombares devem ser avaliados para pesquisa de metástase (Carvalho, 2004).

 

Imagens de um canino, em região intraluminal em contato com parede dorsal, foi observada imagem arredondada de contornos definidos e irregulares, heterogênea, medindo 3,6 cm x 2,2 cm:

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É um achado acidental e benigno em cães e gatos, que pode aparecer como massas de tecido mole parcialmente mineralizadas, circulares a ovais, na gordura abdominal. Pelo exame ultrassonográfico, esses focos podem ser reconhecidos como nódulos ou massas bem definidas, hiperecóicas e hiperatenuantes na gordura abdominal, que podem ser múltiplas no mesmo paciente (Penninck, 2011).

- Nódulo em região umbilical, em cadela de 4 anos ( sugestivo de necrose gordurosa nodular, só um foi visualizado):

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A hiperplasia nodular benigna é comum, particularmente em cães, representando muitas das lesões hepáticas focais identificadas na ultrassonografia. As malignas podem ser vistas como massas focais e multifocais. Lesões cavitárias, ocasionalmente, cistos biliares e hepáticos, aparecem como focos bem circunscritos, anecóicos e devem ser diferenciadas de tumores císticos. Abcessos hepáticos são incomuns, tendem a aprecer como lesões hipoecóicas, arredondadas ou ovais, regulares ou irregulares, que são frequentemente cavitárias. Granulomas tendem a aparecer como lesões hiperecóicas, ocorrem por doenças fúngicas ou peritonite infecciosa felina. A hemorragia hepática é rara em cães e gatos, pode estar relacionada a hemangiossarcomas ou traumas. Os hematomas hepáticos também podem desenvolver após procedimentos guiados por ultrassonografia, como biópsia( Penninck, 2011).

Os tumores primários acometem mais animais idosos, podendo ser malignos ou benignos. Os linfomas são os tumores hemolinfáticos mais comuns encontrados no fígado, tanto em cães quanto em gatos.

As neoplasias mestastáticas hepáticas são mais comuns que as neoplasias primárias e podem surgir a partir de muitos orgãos, incluindo pâncreas, baço, trato gastrointestinal, glândulas adrenais, glândulas mamárias e pulmões. Uma neoplasia hepática também pode ter origem hemolinfática, abrangendo linfossarcomas e mastocitomas.

Os sinais clínicos podem ser inespecíficos ou específicos, como a poliúria e polidipsia, vômitos, perda de peso, icterícia, encefalopatia hepática e ascite. No exame físico pode se observar hepatomegalia ou massa abdominal e membranas mucosas pálidas (Merck, 2001).

Os achados radiográficos são variáveis e os ultrassonográficos podem confirmar o envolvimento de um único lobo hepático, alterações nodulares múltiplas ou uma doença difusa, embora não seja capaz de  definir o tipo celular da neoplasia,  a biópsia faz o diagnóstico definitivo (Merck, 2001).

Em caso de tumores hepáticos em muitos lobos o prognóstico é ruim, no caso de um lobo recomenda-se a remoção cirúrgica (Merck, 2001).

Felino com nódulo hiperecóico em lobo medial.

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Felino com presença de nódulos arredondados hipoecóicos em lobo hepático esquerdo e moderado líquido livre.

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Nódulo hepático arredondado hipoecóico, localizado em lobo esquerdo de um canino de 9 anos.

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Suas causas podem estar relacionadas a cálculos e massas. Os cálculos normalmente formarão sombra acústica, mas se tiver conteúdo de alça intestinal pode prejudicar sua visulaização, é recomendado assim realizar a urografia excretora.

A dilatação uretral facilita a visualização do cálculo. Nos cães os tumores de bexiga, próstata e uretra são as causas mais comuns da obstrução. Nas fêmeas pode estar associada ao granuloma por fio de sutura após a castração.

 

Cálculo vesical medindo aproximadamente 0,3cm em bexiga de felino:

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Uretra dilatada pela obstrução por cálculo em bexiga de felino:

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Uretra dilatada com sonda uretral para hidropropulsão ( empurrar o cálculo com soro fisológico):

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Neoplasias renais não são comuns, sendo as metástases mais frequentes. O tipo de tumor não pode ser identificado na ultrassonografia, mas massas uniformes geralmente estão associadas a linfomas.

Em cães, os tumores mais comuns são o adenocarcinoma (maligno) e hemangioma (benigno). Em gatos é o linfossarcoma.

O diagnóstico definitivo depende do histórico, exames laboratoriais e , se possível, biópsia.

Tumores (massa) localizados em ambos os rins de um felino, com características típicas de linfoma e confirmados na histopatologia:

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Hidroureter:

As ureteroceles são dilatações congênitas do ureter terminal, resultando em estenose do meatouretral. Pode aparecer como estrutura cística de paredes finas projetando para o lúmen da vesícula e estar acompanhado de hidroureter  e dilatação de pelve renal.

Na obstrução completa, o ureter vai aparecer dilatado cranialmente, com redução abrupta na porção caudal ao cálculo. Diversos cálculos migratórios podem estar presentes e se estenderem até a bexiga.

Hidronefrose:

É a dilatação do sistema coletor secundária a obstrução. A obstrução do ureter causa grande dilatação da pelve. O parênquima renal vai variar de acordo com o nível de dilatação e o tempo de obstrução. Deve se acompanhar a dilatação do ureter até a vesícula urinária para se saber aonde está a obstrução.

Imagens de hidroureter em alguns animais:

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Imagens de Hidronefrose em um felino:

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Fonte: Manual Merck de Veterinária; Roca, oitava edição.

 


Os cistos renais podem ser congênitos ou adquiridos, solitários ou múltiplos, uni ou bilaterais. Possuem conteúdo anecogênico e formato arredondado com reforço acústico posterior.

A  doença renal policística geralmente acomete gatos da raça persa. Ocorre o deslocamento e distorção ou dilatação do sistema coletor, podendo ocorrer obstrução mecânica parcial. Para fechamento de diagnóstico deve se correlacionar com exames laboratoriais, histórico do animal e exame clínico, pois existem outras alterações como cistos complicados, hematomas,abcessos, necrose e tumores. Pode se realizar biópsia aspirativa. A ultrassonografia é um exame de diagnóstico que ajuda na avaliação do grau de acometimento dos rins.

Rins Císticos de um felino Persa:

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Algumas mudanças ultrassonográficas podem ser vistas como resultado da pancreatite aguda severa ou da crônica, tais como abcessos e pseudocistos. Ambos possuem aparência sonográfica semelhante, geralemente única, de aspecto cavitário, anecogênico ou hipoecogênico, com pouco ou nenhum eco interno, apresentando reforço acústico posterior , formato oval, paredes espessas e irregulares e de tamanhos variados. O parênquima pancreático se encontra hipoecogênico ao redor do pseudocisto e a gordura mesentérica adjacente ao pâncreas encontra-se hiperecogênica, podendo haver espessamento de parede em alças intestinais. Essas alterações não podem ser diferenciadas entre si somente pela ultrassonografia e são consideradas raras em cães e gatos.

Os abcessos são pouco comuns e desenvolvem-se como resultado de uma infecção do tecido pancreático necrosado.

Os pseudocistos pancreáticos são coleções fluidas que contêm enzimas pancreáticas e debris, que se acumulam em um saco de tecido fibroso não epitelial formado em decorrência de alterações inflamatórias entre serosas, peritônio e mesentério. Os pseudocistos podem estar associados as pancreatites aguda e crônica.

Imagem Ultrassonográfica do pâncreas de um felino:

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Fonte: Ultra-sonografia em Pequenos Animais; Carvalho C., Ed. Roca; Atlas de Ultrassonografia de Pequenos Animais; Pennick D., Ed. Guanabara


O vírus da Leucemia Felina (FeLV) é um vírus que ataca e enfraquece o sistema imune do gato. A infecção pelo FeLV pode seguir dois caminhos. No primeiro, o vírus ataca tecidos e órgãos do sistema imune. Este ataque leva o animal suscetível a uma variedade de doenças infecciosas, causando também infecções respiratórias, lesões de pele, anemias, infecções orais, retardo na cicatrização de feridas e problemas reprodutivos. A maioria dos gatos infectados morrem desses sintomas. Gatos com histórico de doenças crônicas são suspeitos para leucemia felina. Na segunda forma, os gatos desenvolvem câncer, aparecendo como tumores.

Os gatos expostos ao vírus tornam-se potencialmente portadores. Podem não desenvolver a doença durante certo tempo, mas carreiam o vírus em seu corpo e podem tornar-se doentes e infectar outros gatos, caso a doença torne-se ativa.

A infecção pelo FeLV é passada de um gato a outro pelo contato íntimo e prolongado, sendo o vírus eliminado pela saliva, urina e fezes. Ele é transmitido principalmente através de lambeduras e mordeduras. Gatas prenhes podem transmitir o vírus pela via transplacentária e para os recém-nascidos através do leite materno e lambedura dos filhotes.

Comedouros e bebedouros podem ser uma fonte para gatos sadios, se forem divididos regularmente com animais infectados.

Gatos com um bom sistema imune geralmente resistem ao FeLV. O risco de exposição é maior para gatos que tem acesso livre à rua. Os animais mais suscetíveis são os filhotes, devido ao fato do sistema imune ser imaturo e não ser capaz de combater o vírus.

A evolução da doença pode ser classificada em categorias de acordo com a característica da patogenia:

- Regressiva (viremia transitória ou latente): devido a uma resposta imune eficiente, observado em 30% dos gatos sadios expostos ao FeLV. Podem apresentar testes positivos na fase inicial, mas tornam-se negativos posteriormente, pois o organismo neutraliza o vírus;
- Progressiva (viremia persistente): devido à falha no desenvolvimento de uma resposta imune efetiva. Geralmente estes animais desenvolvem sintomas e apresentam testes positivos;
- Latência: o vírus sai da circulação sanguínea, porém permanece seqüestrado na medula óseea, replicando-se sem deixar as células, podendo ser responsáveis pelo desenvolvimento de anemias e neoplasias. Podem apresentar testes sorológicos negativos;

Não existe tratamento específico para infecções pelo FeLV. Geralmente, realiza-se apenas tratamento sintomático para as infecções decorrentes, anemias e neoplasias.

A única maneira de controlar a Leucemia Felina é através de uma vacina segura e eficaz. Recomenda-se que os gatos suspeitos sejam testados antes de serem vacinados. O teste é simples e pode ser realizado por seu veterinário com uma amostra de soro, sangue ou saliva.

Sinais Clínicos:
Dentre os sinais clínicos mais comuns observados na FIV e FeLV podem ser citados:
- anorexia
- depressão
- perda de peso/caquexia
- alterações comportamentais

Os sinais clínicos estão associados às infecções secundárias e à imunossupressão como:

- Halitose devido a gengivites ou estomatites
- Dermatites recorrentes e abscessos
- Otites
- Infecções das vias aéreas
- Enterites
- Anemia não regenerativa
- Leucopenia com neutropenia, linfopenia e trombocitopenia ou leucocitose por linfocitose
- Linfoma
- Fibrossarcoma
- Doenças mieloproliferativas
Imagens de um felino macho de meses de idade com efusão em tórax:

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Para visualizar o vídeo acesse no facebook a página: Priscilla Pinel Ultrassonografia

Fonte: http://www.provet.com.br/artigo/veterinarios/as-doencas-que-assombram-nossos-gatos-fiv-e-felv/21/


Depois de 16 meses de aprimoramento em ultrassonografia e aprendizado nas outras áreas da imagem, foi terminado mais um ciclo, com muitos percalços, mas com a certeza de dever cumprido!

Com isso, agora será possível fazer exames com maior precisão nos laudos, além de utilizar a ultrassonografia em outras regiões como: ocular, craniana, pescoço e toráx.

Marque já o exame de seu bichinho! capaslide